UM ESTUDO SOBRE A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO.
UM ESTUDO SOBRE A PARÁBOLA DO
FILHO PRÓDIGO.
O
Filho Pródigo é talvez a mais conhecida das parábolas de Jesus, apesar de aparecer apenas em
um dos evangelhos canônicos. De acordo com Lucas 15:11-32, a um filho
mais novo é dada a sua herança. Depois de perder sua fortuna (a palavra
"pródigo"
significa "desperdiçador, extravagante"), o filho volta para casa e
se arrepende. Esta parábola é a terceiro e e
última de uma trilogia
sobre a redenção, vindo após a Parábola da Ovelha Perdida e a Parábola da Moeda Perdida.
Temas e classificação
As
Parábolas são divididas em 3 classes:
·
Parábolas
verídicas – a ilustração é tirada da vida diária, portanto seu ensino pode ser
reconhecido de forma universal. Ex.: os meninos que brincam na praça (Mateus 11:16-19; Lucas 7:31-32); a ovelha
separada do rebanho (Parábola da Ovelha Perdida)); uma moeda
perdida numa casa (Parábola da Dracma Perdida).
·
Parábolas
em forma de histórias – refere-se a acontecimentos passados que são
centralizados diretamente em uma pessoa. Ex.: o mordomo sagaz que endireitou a
sua situação depois de ter esbanjado o patrimônio do seu senhor (Parábola do Mordomo Infiel); o juiz que
acabou finalmente administrando justiça como respostas às repetidas súplicas de
uma viúva (Parábola do Juiz Iníquo).
·
Ilustrações
– são histórias que focalizam exemplos a serem imitados. Ex.: a Parábola do Bom Samaritano.
O Reino de Deus
é um tema recorrente nas parábolas de Jesus. Ele estava implantando um novo
Reino espiritual e todo seu enfoque estava na manifestação desse Reino, por
isso muitos não o compreendiam (Mateus 13:13) por estarem
com seus corações endurecidos, cheios de incredulidade.
Jesus proferiu várias parábolas referindo-se
diretamente ao Reino de Deus e que, frequentemente, revelam uma perspectiva escatológica: as sete parábolas do "Discurso das Parábolas" em Mateus 13,
a Parábola do Banquete de Casamento,
a Parábola das Dez Virgens e a Parábola dos Talentos.
Ditos parabólicos
Há também vários ditos parabólicos breves e sábios
que pode ter sido circulado como provérbios nos dias de Jesus: "Médico, cura-te a ti mesmo" (Lucas 4:23); "Pode porventura um cego guiar a outro cego? Não
cairão ambos no barranco?" (Lucas 6:39).
O Sermão da Montanha
- O Sal da terra (Mateus 5:13; Marcos 9:49-50; Lucas 14:34-35)
- A Luz do mundo (Mateus 5:14; Marcos 4:21; Lucas 8:16)
- Dos Tesouros (Mateus 6:19; Lucas 12:33-34)
- O Olho São (Mateus 6:22-23; Lucas 11:34)
- As Aves do Céu e os Lírios do Campo ( Mateus 6:26; Lucas 12:24-48)
- Não podes servir a dois senhores ( Mateus 6:24; Lucas 16:13)
- O Argueiro no olho ( Mateus 7:3-5; Lucas 6:41-42)
- Da Profanação daquilo que é santo (Mateus 7:6)
- As Duas Estradas (Mateus 7:13-14; Lucas 13:23-24)
- Os Lobos disfarçados em ovelhas e “Pelos seus frutos...” (Mateus 7:15-20)
- A Casa edificada na rocha (Mateus 7:24-27; Lucas 6:47)
O Ministério na Galileia
Primeiro período
- Vinho Novo em Odres Velhos (Mateus 9:14-17; Marcos 2:18-22; Lucas 5:33-39)
- A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos (Mateus 9:35-38; Marcos 6:6-34; Lucas 8:1; João 4:35)
- Dois devedores (Lucas 7:36-50)
- O Sinal de Jonas (Mateus 12:38-42; Mateus 16:1-4; Marcos 8:11-12; Lucas 11:16; João 6:40)
- Os verdadeiros parentes de Jesus (Mateus 12:46-50; Marcos 3:20-21; Lucas 8:19)
Discurso das Parábolas
As
parábolas a seguir são conhecidas como Discurso das Parábolas:
- A Parábola do Semeador (Mateus 13:1-9; Marcos 4:1-9; Lucas 8:4-8)
- A Razão do falar em parábolas (Mateus 13:10-17; Marcos 4:10; Lucas 8:9-10; João 9:39)
- Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (Mateus 11:15; Marcos 4:8-23; Lucas 8:8)
- A semente (Marcos 4:26-29)
- O Trigo e o joio (Mateus 13:24-30)
- Parábola do grão de mostarda (Mateus 13:31-32; Marcos 4:30; Lucas 13:18-19)
- Parábola O Fermento (Mateus 13:33; Lucas 13:20-21)
- Por que Jesus falou por parábolas (Mateus 13:34; Marcos 4:33-34)
- Parábola da Pérola (Mateus 13:45-46)
- O tesouro Escondido (Mateus 13:44)
- A Parábola da Rede (Mateus 13:47-50)
- Tesouros velhos e novos (Mateus 13:51-52)
No Caminho de Jerusalém
- O Bom Samaritano (Lucas 10:29-37)
- Amigo Importuno (Lucas 11:5-8)
- A Luz (Lucas 11:33; Mateus 5:15; Marcos 4:21)
- O Olho bom (Lucas 11:34; Mateus 6:22-23)
- Do Rico Insensato (Lucas 12:13-21)
- A Parábola da Figueira Estéril (Lucas 13:1-9)
- Contando o Custo (Lucas 14:28-33)
- A Ovelha perdida (Mateus 18:10-14; Lucas 15:1-7)
- O Credor Incompassivo (Mateus 18:23-35)
- A Dracma perdida (Lucas 15:8)
- O Filho Pródigo (Lucas 15:11-32)
- O Mordomo Infiel (Lucas 16:1-13)
- O Parábola do Rico e Lázaro (Lucas 16:19-31)
- Servo Inútil (Lucas 17:7-10)
- O Juiz iníquo (Lucas 18:1-8)
- O Fariseu e o publicano (Lucas 18:9-14)
O Ministério na Judeia
- Das Riquezas (Mateus 19:23-30; Marcos 10:23-31; Lucas 18:24-30)
- Os Trabalhadores da vinha (Mateus 20:1-16)
- Os Talentos (Mateus 25:14-30; Lucas 19:11-27)
O Ministério final em Jerusalém
- Os Dois filhos (Mateus 21:28-32)
- Os Lavradores maus (Mateus 21:33-46; Marcos 12:1-12; Lucas 20:9-19)
- As Bodas (Mateus 22:1-14)
- Parábola da viúva pobre (Mateus 12:41-44; Lucas 21:1-4)
- A Figueira (Mateus 24:32-36; Marcos 13:28-32; Lucas 21:29-33)
- O Dilúvio, a vigilância e o ladrão de noite (Mateus 24:37-44; Lucas 17:26-36; Lucas 12:39-40)
- O Bom servo e o mau servo (Mateus 24:45-51; Lucas 12:41-46)
- As Dez virgens (Mateus 25:1-13)
- A Exortação à vigilância (Mateus 25:13; Marcos 13:33-37; Lucas 19:19-20)
- As Ovelhas e Bodes (Mateus 25:31-46)
Os discursos no Evangelho de João
O ensino de Jesus no quarto Evangelho apresenta-se
em discursos e diálogos que, mesmo assim, empregam a linguagem figurada
parabólica.
- O Novo nascimento (João 3:1-36)
- A Água da Vida (João 4:1-42)
- O Filho (João 5:19-47)
- O Pão da Vida (João 6:22-66)
- O Espírito vivificante (João 7:1-52)
- A Luz do Mundo (João 8:12-59)
- O Bom Pastor (João 10:1-42)
- O Discurso de despedida (de João 14 até João 17), que inclui os ditos acerca da casa do Pai (João 14:2), do caminho (João 14:6), A Videira (João 15:1-16) e das dores de parto (João 16:2).
Contexto e Interpretação
Esta é a última das três parábolas sobre perda e
redenção, na sequência da Parábola da
Ovelha Perdida e da Parábola da
Moeda Perdida, que Jesus conta após os fariseus e líderes religiosos o terem
acusado de receber e compartilhar as suas refeições com "pecadores".
A alegria do pai descrita na parábola reflete o amor divino, a "misericórdia infinita de Deus"
e "recusa de Deus em limitar a sua graça".
O pedido do filho mais novo de sua parte da herança
é "ousado e insolente" e "equivale a querer que o pai
estivesse morto". Suas ações não levam ao sucesso e ele finalmente se
torna um trabalhador por contrato, com a degradante tarefa (para um judeu)
de cuidar de porcos, chegando ao ponto de invejá-los por
comerem vagens de alfarroba . Em seu
retorno, o pai trata-o com uma generosidade muito maior do que ele teria o
direito de esperar[3] .
O filho mais velho, ao contrário, parece pensar em
termos de "direito, mérito e recompensa" ao invés de "amor
e benevolência"[3] . Ele pode representar os fariseus que estavam criticando Jesus
O texto que trata da história do filho pródigo está
em Lucas 15:11-32.
1 Aproximavam-se
de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
2 E
murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com
eles.
3 Então,
lhes propôs Jesus esta parábola:
4. Qual,
dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não
deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até
encontrá-la?
5.
Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo.
6 E, indo
para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque
já achei a minha ovelha perdida.
7.
Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende
do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
8. Ou
qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia,
varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la?
9 E,
tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque
achei a dracma que eu tinha perdido.
10 Eu vos
afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador
que se arrepende.
11.
Continuou: Certo homem tinha dois filhos;
12 o mais
moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes
repartiu os haveres.
13.
Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu,
partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo
dissolutamente.
14 Depois
de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a
passar necessidade.
15. Então,
ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os
seus campos a guardar porcos.
16 Ali,
desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe
dava nada.
17. Então,
caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu
aqui morro de fome!
18.
Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu
e diante de ti;
19 já não
sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores.
20 E,
levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o
avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou.
21 E o
filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de
ser chamado teu filho.
22 O pai,
porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o,
ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés;
23 trazei
também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos,
24 porque
este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram
a regozijar-se.
25. Ora,
o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da
casa, ouviu a música e as danças.
26.
Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo.
27 E ele
informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o
recuperou com saúde.
28 Ele se
indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo.
29, Mas
ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma
ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus
amigos;
30 vindo,
porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste
matar para ele o novilho cevado.
31. Então,
lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu.
32. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos
e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava
perdido e foi achado.
A vida de um pecador que se converte compreende
cinco estágios, os quais podem ser vistos nesta parábola que Jesus utilizou
para confrontar os Fariseus:
O
primeiro estágio é a partida (descrita nos versículos 11-13: E disse:
Um certo homem tinha dois filhos; E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me
a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. Lucas 15:11-13).
E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. Lucas 15:11-13).
O segundo estágio é a miséria na terra estrangeira
(descrita nos versículos 14-16: E, havendo ele gastado tudo,
houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.
E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra,
o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos.
E desejava encher o seu estômago com as bolotas que
os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. Lucas 15:14-16).
Já nos versículos 17 ao 19 (E,
tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e
eu aqui pereço de fome!
Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e
dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; Já não sou digno de ser
chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros. Lucas 15:17-19). temos
a contrição pelos pecados cometidos.
Depois, o retorno ao Pai no versículo 20 e
seguintes (E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o
seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e
o beijou.
E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e
perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.
Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a
melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; E
trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; Porque este meu
filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a
alegrar-se. Lucas
15:20-24).
E o
quinto estágio que é a aceitação do filho que volta ao convívio familiar. (32 Mas era
justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu;
e tinha-se perdido, e achou-se.).
Podemos simplificar: Pecado, Castigo,
arrependimento, conversão e justificação.
Por vezes nos limitamos a falar somente do filho
mais novo, quando em verdade, está parábola se dirige também àquelas pessoas
que se colocam no lugar do filho mais velho, e que podem ser exemplificadas com
aqueles que se denominam “crentes antigos”.
E disse: Um certo homem tinha dois filhos.
E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a
parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
Jesus inicia sua parábola falando que havia um
homem que tinha dois filhos. É de se estranhar a iniciativa do filho em
repartir as terras do pai, sem sequer esperar a sua morte. Isto por si só já
demonstra uma quebra da lei natural na sucessão das coisas. Conforme o costume
daquela época, o filho primogênito (mais velho) receberia dois terços da
propriedade. Já ao filho mais moço cabia um terço.
Este costume é descrito no Livro de
Deuteronômio. O primogênito é o princípio da força do homem e devia
receber porção dobrada. O filho mais moço dá início ao repartir da
propriedade, numa demonstração de desrespeito para com a autoridade paterna
enquanto chefe daquele núcleo familiar. Deveria partir do pai a iniciativa de
repartir a terra e assim se desincumbir de sua responsabilidade para com a
administração.
E poucos dias depois, o filho mais novo; ajuntando
tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo
dissolutamente.
Podemos supor que ele vendeu as terras para alguém
estranho à família, e tomando sua parte em espécie partiu. Ainda hoje vemos
nossos jovens partindo para terras cada vez mais distantes numa valorização da
“cultura alheia”. Importante notar que o Pai neste momento não profere nenhuma
censura. Fica calado. Ele permite (assim como Deus) que o ser humano faça o que
quer. Este respeito ao “direito de pecar”, é o respeito ao fato de que Deus
criou o homem livre e para a liberdade, inclusive para a liberdade de pecar. O
pai permitiu ao filho mais moço que ele escolhesse seu caminho, procedendo de
acordo com seus desejos.
Desperdiçou é justamente o oposto de “ajuntando
tudo”. É nisto que consiste o pecado. Gastar os bens criados por Deus Pai, e a
nós emprestados. Alguns destes bens: Saúde, Vigor Físico, Coisas Materiais,
Tempo, Saúde Mental. No pecado, o filho de Deus, não atenta para a questão da
mordomia. Este afastamento para uma terra distante é uma fuga da disciplina do
Pai.
E havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma
grande fome, e começou a padecer necessidades.
Esta descrição breve retrata que o filho se viu
pobre, desnudo e despido de suas posses. Na terra em que ele achava que teria
plena liberdade, ele se viu de repente presa das circunstâncias mais adversas.
Este padecer necessidades é uma demonstração de sua condição de extrema inferioridade
em relação aos habitantes naturais daquele país. Uma condição pior do que o
natural da terra. Numa comparação com o mundo moderno vemos que não mudou
muito. Os filhos saem do lar e na esperança de uma pseudoliberdade, vivem uma
vida dissoluta. Ainda assim ocorre com aqueles que muitas vezes abandonam a
igreja para a vida no mundo. Esta crença de uma liberdade irrestrita fora da
vida familiar e congregacional não passam de uma armadilha, o mais é engano.
E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra,
o qual o mandou para os seus para apascentar porcos.
Em conformidade com a lei judaica, os porcos eram
animais imundos. Os porcos não podiam ser comidos ou usados em sacrifícios,
portanto para um judeu, tratar dos porcos representava a suprema humilhação.
Tal fato pode ser conferido em Levítico 11: 2-8: 2. Fala aos filhos de Israel,
dizendo: Estes são os animais, que comereis dentre todos os animais que há
sobre a terra; 3. Dentre os animais, todo o que tem unhas fendidas, e a fenda
das unhas se divide em duas, e rumina, deles comereis.
4. Destes, porém, não comereis;
dos que ruminam ou dos que têm unhas fendidas; o camelo, que rumina, mas não
tem unhas fendidas; esse vos será imundo; 5. E o coelho, porque rumina, mas não
tem as unhas fendidas; esse vos será imundo; 6. E a lebre, porque rumina, mas
não tem as unhas fendidas; essa vos será imunda.
7. Também o porco, porque tem
unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, mas não rumina; este vos
será imundo.
8. Das suas carnes não comereis,
nem tocareis nos seus cadáveres; estes vos serão imundos. Levítico 11:2-8
e Deuteronômio 14:8 8 Nem o
porco, porque tem unha fendida, mas não rumina; imundo vos será; não comereis
da carne destes, e não tocareis nos seus cadáveres.
Desejar comer a comida dos porcos significava que
ele estava numa condição muito além da degradação humana. Ou numa linguagem
econômica moderna, ele estava muito abaixo da linha da pobreza. Vemos o
naufrágio do filho mais moço e sua submersão nas águas escuras da perdição.
Longe dos seus, desamparado pelos amigos que só se interessavam pela fortuna.
Humilhado.... Humilhado.... Humilhado...
Assim nos deixa o pecado. Jogado na lama do chiqueiro
dos porcos. Representado hoje pelas sarjetas da bebida, do jogo e das drogas e
das prostituições.
E desejava encher o seu estômago com as bolotas que
os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.
Já ouvi muitas pregações dizendo que ele comia a
comida dos porcos. Mas vemos que nem isto sobrava para ele. Ou seja, ninguém
lhe dava nada. O porco assumiu muito mais importância do que o homem. Mas é
este o trabalho do diabo: Roubar, Matar e Destruir. O mais humilhante trabalho
que poderia existir para um judeu não lhe garantiu sequer a sua subsistência.
Algumas versões trazem que as comidas dos porcos eram “vagens de alfarrobarias”.
E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de
meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
Vemos aqui a contrição pela saída inoportuna de sua
casa. A sua mente analisa a diferença entre a miséria e a abundância da casa
paterna. Vemos ainda hoje está latente diferença entre a vida na congregação
junto aos irmãos, ao pé dos pastores e a vida nas noitadas de bebidas e destruição
familiar. A recordação de um pai que era bom para os filhos e para seus
empregados. “As grandes dores as tragédias são frequentemente necessárias
para fazer as pessoas olharem para o único que pode ajudá-las: Jesus.”[2]
Será que você neste momento está agindo assim? De
acordo somente com suas vontades, de forma egoísta. Saiba que isto trará para
você e para as suas muitas dores. O ideal é parar antes que o fundo do abismo
nos toque.
“Caindo em si”, significa que antes, ele estava
tomado pela loucura do pecado. É isto que é o pecado: Loucura. A volta acontece
pela confiança que ele tem depositada no Pai e pelo amor próprio.
Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei:
Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu
filho; faze-me como um dos teus trabalhadores.
A recordação de que os empregados de seu pai tinham
abundância e a saudade do tratamento que recebia fala fundo em seu
coração. “Planeja antepor à solicitação prevista uma confissão de sua
culpa.”
E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda
estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo,
lançou-se lhe ao pescoço, e o beijou.
Estamos diante de uma demonstração inequívoca da GRAÇA
DE DEUS. O pai esperava a volta do filho pródigo, não saiu para
procurá-lo pois sabia que estava lidando com um ser humano dotado de vontade e
liberdade. Ainda assim ocorre com os crentes desviados, esperamos pelas suas
voltas, pois sabem que há um caminho. Diferente das ovelhas perdidas ou das
dracmas[4] que hão que ser procuradas. Mas o filho
quando volta para seu pai, é recebido de forma alegre. Esta constância e
paciência no amor de deus é que faz com que Ele nos dê as boas-vindas ao
retornarmos para o lar. Assim como o pai age nesta história, Deus age em
nossas vidas. Deus não nos força a respondê-lo ou a buscá-lo, mas quando o
fazemos, Ele nos recebe de braços abertos. O fato de que o pai o viu ao longe,
é uma demonstração de quantas vezes aquele pai, teve seu olhar perdido no
horizonte, na esperança de que o filho apontasse na estrada. Uma demonstração
de que o amor do pai não foi extinto pelo tempo e pela ausência da separação. A
íntima compaixão que mostra o pai mostra que o estado deplorável do filho,
longe de deixar asco, deixou mais motivação para que o pai o recebesse. É por
isto que não entendemos quantas mães e pais enfrentam horas de humilhação para
visitar os filhos nos presídios. A restituição do relacionamento ocorre sem
cobranças por parte do pai. É como se o filho mais moço nunca o tivesse
decepcionado. O maravilhoso disto tudo é que o pai toma a iniciativa de abraçar
o filho. Nada de críticas, de repreensões, mas apenas o amor demonstrado no
abraço silencioso.
E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e
perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho.
Mas o pai disse aos cervos: Trazei depressa a
melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés.
Descalço, maltrapilho e sem reconhecimento é assim
que voltamos do mundo para a casa do Pai. Em troca de nossos trapos, recebemos
roupas melhores. Os pés imundos são lavados e calçados com sandálias. E o
bezerro cevado, foi a morte de Cristo. Esta foi a oferta pela propiciação
de nossos pecados. O pai que ficou calado o tempo todo, agora abre a boca. Não
para falara um “Está perdoado”. Mas, sim, para dar ordens imperativas aos
servos para que coloquem o filho arrependido na melhor posição da casa. Assim
devem ser as ações de perdão em nossas vidas. Perdão não pode ser mostrado por
palavras vazias e sem sentido, mas por ações que efetivamente demonstrem o ato
do perdão. E perdão não é Dom; é ordenança.
As sandálias são um privilégio do homem livre. O
escravo devia andar descalço. “Para a
liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos
submetais, de novo, a jugo de escravidão. ” (Gálatas 5:1)
O anel era símbolo de autoridade para o judeu.
E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e
alegremo-nos,
Todos devem alegrar-se com a volta do filho que
estava perdido. Inclusive os cervos da casa. Assim nós devemos participar da
alegria de nosso pai. Assim ocorre com os anjos no céu. Alegram-se quando um
pecador se arrepende. Fazem festa de júbilo para com aquela alma que estava
perdida e salvou-se. Esta festa representa a comunhão.
Porque este meu filho estava morto e reviveu;
tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se.
Não importa a maneira como os pecadores se perdem.
Deus está de prontidão eterna esperando o momento em que seus filhos resolvem
voltar para o lar. Dentro da Bíblia Cristã, o conceito de morte e vida, faz
alusão à questão do pecado e da conversão. O pecado representa a separação do
pai. A conversão representa a aceitação de que somos dependentes de Deus para
termos a salvação por meio de seu filho. Pecado é morte. Conversão é vida.
E o seu filho mais velho estava no campo; e, quando
veio e chegou perto de casa, ouvia a música e as danças. E chamando um dos
servos, perguntou-lhe que era aquilo.
E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o
bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo
o pai, instava com ele.
Cristo está falando diretamente aos fariseus que
julgam ser melhores do que outros. Mas fala diretamente às igrejas do mundo
moderno e de seus membros que não gostam de receber pecadores em seus
interiores. Estas igrejas da Teologia da prosperidade não querem nada mais que
as lãs de suas ovelhas. Não se preocupam e não se alegram com a salvação das
almas.
Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te
sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste
um cabrito para alegrar-me com meus amigos.
O que vemos na atitude do filho mais velho, é o que
presenciamos até hoje. O “Escândalo da Graça” causa perplexidade até
hoje no mundo. O homem natural não aceita o fato de que o pecador tem a sua
impureza remida sem que para isto precise oferecer sacrifícios, penitências e
novenas. O homem natural não entende o AMOR DO PAI que deu seu filho unigênito
para morrer e apesar de toda nossa vida dissoluta nos aceita e nos veste com
trajes de festa. A representação do filho mais velho é para ilustrar os judeus,
que de forma meticulosa guardavam os princípios legais, mas nem de longe
compreendiam o princípio da Graça Divina.
Vindo, porém, este teu filho que desperdiçou a tua
fazenda com meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
As palavras do filho mais velho demonstram que ele
estava tão perdido quanto o filho mais novo. “As pessoas que se arrependem
depois de viver notoriamente no pecado atraem suspeitas; há igrejas que se
mostram pouco dispostas a admiti-las como membros. ” (BAP, 1386)
É muito difícil para o filho mais velho aceitar o
irmão que viveu de forma dissoluta e desregrada, mesmo tendo se arrependido.
Inúmeras vezes, Cristãos mais velhos agem (motivado pelo ciúme) como o irmão
mais velho. Na verdade, deveriam agir como o Pai que abriu os braços para
recebê-lo.
A nossa atitude deve ser semelhante como a dos
anjos no céu. Há regozijo quando um pecador se arrepende e volta para Deus.
E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e
todas as minhas coisas são tuas.
Não percebemos por várias vezes que as bênçãos do
Pai são nossas. E o que vemos muitas vezes é o que se chama de “correr atrás da
benção”.
O perdão do pai está ligado ao fato de que ele é
Amor. Já o filho mais velho representa o ressentimento. Mas nada há que não
possa ser refeito.
A inveja e o orgulho é que nos impedem de
usufruirmos das coisas que Deus nos dá e não as bênçãos que estão ao nosso
alcance.
Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos,
porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado.
O pai sabiamente lembra que o que retornou ao seio
da família foi o irmão que saiu. Embora magoado e machucado ambos têm sua
gênese no mesmo pai e muito provavelmente tenham se alimentado do mesmo leite
materno.
O ser que está morto é uma analogia com aquele ser
que perdeu o contato com Deus. Ao perder o contato com Deus, deixamos de
participar da vida ressurreta em Cristo Jesus. “nem ofereçais cada um dos membros do seu corpo ao pecado, como
instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os
mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.”
(Romanos 6:13)
E ainda: “Ele
vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados. ”
(Efésios 2;1)
Bibliografia
Bíblia de
Estudo Aplicação Pessoal. (2003). São Paulo.
Brasil,
S. B. (2008). Bíblia Shedd. São Paulo: Vida Nova.
CPAD.
(2011). Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Rio de
Janeiro/RJ: CPAD.
Fritz, R.
(2005). Evangelho de Lucas (Comentário Esperança). Curitiba/PR: Editora
Evangélica Esperança.


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