Lições Bíblicas CPAD – Adultos – 2º Trimestre de 2016
Título: Maravilhosa Graça — O Evangelho
de Jesus Cristo revelado na carta aos Romanos – Comentarista: José
Gonçalves
Lição 6: A Lei, a carne e o Espírito
TEXTO
ÁUREO
“Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso
Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas, com a
carne, à lei do pecado” (Rm 7.25).
VERDADE PRÁTICA
A luta
entre a carne e o espírito é uma realidade na vida de todo crente, mas a
dependência da graça de Deus fará com que tenhamos uma vida vitoriosa.
LEITURA DIÁRIA
Rm 6.2,3 O
poder do pecado foi aniquilado por Jesus Cristo e não pela lei
Rm 6.11 Nossa
antiga natureza está morta, agora estamos vivos para Deus
Rm 6.12 Não
podemos permitir que o pecado assuma o controle de nossas vidas
Gl 5.13 Não
usemos da liberdade para dar lugar à carne
Gl
5.16-21 Já não somos mais dominados pelas obras da carne
Gl 5.22 O
fruto do Espírito na vida do crente
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Romanos
7.1-15.
1 — Não sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que
sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive?
2 — Porque a mulher que está sujeita ao marido,
enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre
da lei do marido.
3 — De sorte que, vivendo o marido, será chamada
adúltera se for doutro marido; mas, morto o marido, livre está da lei e assim
não será adúltera se for doutro marido.
4 — Assim, meus irmãos, também vós estais mortos
para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que
ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.
5 — Porque, quando estávamos na carne, as paixões
dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para
a morte.
6 — Mas, agora, estamos livres da lei, pois
morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de
espírito, e não na velhice da letra.
7 — Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo
nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a
concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.
8 — Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento,
despertou em mim toda a concupiscência: porquanto, sem a lei, estava morto o
pecado.
9 — E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o
mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;
10 — e o mandamento que era para vida, achei eu que
me era para morte.
11 — Porque o pecado, tomando ocasião pelo
mandamento, me enganou e, por ele, me matou.
12 — Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo,
justo e bom.
13 — Logo, tornou-se-me o bom em morte? De modo
nenhum! Mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo
bem, a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno.
14 — Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas
eu sou carnal, vendido sob o pecado.
15 — Porque o que faço, não o aprovo, pois o que
quero, isso não faço; mas o que aborreço, isso faço.
HINOS SUGERIDOS
155, 432
e 491 da Harpa Cristã.
OBJETIVO GERAL
Mostrar
que a luta entre carne e espírito é uma realidade na vida de todo crente.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo,
os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos
subtópicos.
- I. Explicar a analogia do casamento ilustrada na Lei;
- II. Mostrar a analogia da solidariedade da raça ilustrada em Adão;
- III. Discorrer a respeito da analogia entre carne e espírito.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Na lição de hoje estudaremos o capítulo sete da
Epístola aos Romanos. Este capítulo trata a respeito da libertação da Lei. Para
que os romanos compreendessem bem o assunto, Paulo faz uma analogia entre a Lei
e o casamento. O apóstolo mostra que enquanto o marido viver, a esposa está
ligada a ele mediante a lei do matrimônio. Mas, morto o marido a esposa se
torna livre, podendo até mesmo contrair novas núpcias. Com esta analogia, Paulo
mostra que os salvos em Cristo, pela fé, já estão livres da lei do pecado e
agora pertencem a Jesus Cristo. Em Cristo, estamos mortos para a lei do pecado.
O apóstolo precisou tratar deste assunto porque os judeus tinham dificuldades
de se libertarem das amaras da Lei. Livres da lei do pecado temos condições de
nos relacionarmos com Deus e vivermos uma vida de santidade. Segundo Lawrence
Richards “a libertação da Lei não promove o pecado, mas a justiça”.
COMENTÁRIO / INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos o papel do cristão em
relação à Lei, a carne e o Espírito. Paulo apresenta um estudo a respeito
desses temas no capítulo sete. Ele se utiliza de três analogias para discorrer sobre
os assuntos: a analogia do casamento, a analogia de Adão no paraíso e a
analogia da carne versus o espírito.
Como devemos nos comportar diante da lei?
Como explicar, que mesmo depois de já termos
recebido a graça de Deus, passamos por conflitos espirituais internos?
O que isso significa?
É o que vamos procurar responder neste estudo.
PONTO
CENTRAL
Jesus Cristo nos libertou do jugo
da Lei, do pecado e das obras da carne, por isso, podemos andar em Espírito.
I. A LEI ILUSTRADA NA
ANALOGIA DO CASAMENTO (Rm 7.1-6)
Romanos – Capítulo 7
1
Porventura, ignorais, irmãos (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio
sobre o homem toda a sua vida?
2 Ora, a
mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o
mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal.
3 De
sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro
homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se
contrair novas núpcias.
4 Assim,
meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de
Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os
mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus.
5 Porque,
quando vivíamos segundo a carne, as paixões pecaminosas postas em realce pela
lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarem para a morte.
6 Agora,
porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos,
de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra.
1. A metáfora do casamento. O apóstolo Paulo mostra que
homem algum pode ser salvo pela Lei, até mesmo aqueles que a guardam com zelo e
devoção. Aqueles que já possuem uma nova natureza também não serão guardados do
pecado por observarem a Lei. A insistência de Paulo, que se estende desde o
capítulo seis com respeito à função da Lei, agora o conduz a usar o casamento
como uma analogia que contrasta o viver através dos preceitos da Lei e a nova
vida em Cristo (Rm 7.1). Paulo usou o casamento para mostrar o nosso
relacionamento com a Lei. O apóstolo ressalta que o contrato de casamento perde
sua validade quando um dos cônjuges morre. Segundo a Bíblia de Aplicação
Pessoal, “ao morrermos com Cristo, a Lei não pode mais nos condenar;
estamos unidos a Cristo”.
2. A metáfora da mulher viúva. Os versículos 2 e 3 do capítulo
7, concluem a analogia do apóstolo a respeito do casamento. Paulo afirma que
vivendo o marido, se a mulher se casar novamente com outro homem, ela será
considerada adúltera. Mas, se o marido morrer ela está livre para se casar
novamente. A intenção era mostrar que a morte de Cristo na cruz, e os cristãos
juntamente com Ele (Ef 2.5,6), rompeu os votos de obediência aos preceitos
legais da lei mosaica (Rm 7.4).
3. Mortos para a lei. A expressão “mortos para a lei
pelo corpo de Cristo” é entendida pelos intérpretes como uma referência à morte
de Cristo e a nossa identificação com Ele. O biblicista C. Marvin Pate observa
que “Paulo usa a analogia da morte de um cônjuge no casamento para ilustrar a
morte do crente para a lei, pelo fato de ele estar unido com Cristo (Rm
7.1-6)”.
SÍNTESE DO TÓPICO (I)
Paulo
utiliza a analogia do casamento para mostrar que fomos libertos do jugo da Lei
e do pecado.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Livre
Um cônjuge não está mais ligado pela
lei matrimonial com o consorte falecido. A morte liberta a ele ou a ela dessa
lei. Semelhantemente, a morte de Cristo, que compartilhamos em nossa união com
Ele, nos liberta de todas as obrigações legais constantes na Lei de Deus.
Algumas pessoas ficam atemorizadas
com a ideia de que o cristão não tem obrigação alguma de guardar a Lei. Paulo
deixa claro que precisamos estar livres dessas obrigações. Por quê? A Lei diz
respeito à nossa natureza pecaminosa e proclama: ‘Não’. O resultado não foi uma
repreensão do desejo de pecar, mas o surgimento de nossas paixões pecaminosas.
Pecamos, ao ‘produzir frutos da morte’. Deus agora nos chama para nos
relacionarmos diretamente com Ele através do Espírito. O Espírito falará à
nossa natureza, nos estimulando a servir e, assim, a ‘produzir frutos para
Deus’” (RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de
Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012,
p.743).

Libertados
da Lei (Romanos 7:1-11)
Tanto o pecado como a lei são associados à morte
(5:12,21; 6:14; 7:10-11; veja Gálatas 3:10). Por outro lado, a fé em Cristo
leva à ressurreição e à vida (6:4,8,9,23). É somente em Cristo que morremos à
lei e ao pecado para ter a vida.
Não
Sujeitos à Lei (1-6)
|
“De modo nenhum”: Esta resposta aparece sete vezes no livro
(6:2,15; 7:7,13; 9:14; 11:1,11). É uma expressão forte que Paulo usa para
evitar conclusões falsas por parte de seus leitores, e normalmente para
introduzir uma nova fase do argumento.
|
Os mortos não são sujeitos à lei (1). Para ilustrar
esse fato, Paulo introduz aqui a lei do casamento (2-4). A morte interrompe o
laço de lei. As pessoas que já morreram em relação à lei não são mais obrigadas
a guardá-la. No meio da ilustração, ele muda o sentido um pouco, mostrando que
a pessoa viva (a viúva, neste caso) fica livre para ser ligada a outro
(marido). Uma vez morta à lei, a pessoa pode ser ligada a Cristo, mas não pode
continuar com a lei e com Cristo ao mesmo tempo.
Esta ilustração serve, também, para frisar a
vontade de Deus para o casamento. O casamento é para a vida toda, e deve ser
interrompido somente pela morte de um dos cônjuges. O outro (viúvo ou viúva)
pode casar-se de novo sem pecar. Mas, se casar de novo enquanto o primeiro
marido vive, torna-se adúltera. Neste trecho ele não trata da exceção dada por
Jesus em Mateus 19:9. Podemos observar, também, que o laço de obrigação é com a
lei conjugal (de Deus), e não somente com o cônjuge. Por isso, a pessoa
divorciada geralmente ainda não tem autorização de Deus para casar de novo, e o
segundo casamento se caracteriza como adultério (Lucas 16:18; Marcos 10:2-12;
veja Marcos 6:17-18; Malaquias 2:14,16).
Antes de
uma pessoa morrer para o pecado, o pecado produzia o fruto da morte (5). Depois
de ser libertada do pecado e da lei, a mesma pessoa passa a servir a Deus (6).
Vive na novidade de espírito (a fé, o evangelho, Cristo), não na caducidade da
letra (a lei, o pecado, a morte).
Embora
todos nós estivéssemos sujeitos ao pecado, somente os judeus estavam sujeitos à
lei que Paulo cita aqui. Ele mostrará no próximo parágrafo a qual lei se
refere.
A Lei ≠
Pecado (7-11)
Uma vez que a liberdade da lei é comparada à
liberdade do pecado, alguém poderia concluir que são a mesma coisa. Paulo tira
essa dúvida: “É a lei pecado? De modo nenhum!” (7). A lei não é
pecado, mas ela torna o pecado conhecido. Paulo cita o exemplo de cobiça (7).
Qual lei? Alguns ensinam que alguma parte da lei dada no
Monte Sinai continua em vigor hoje. Às vezes, sugerem uma distinção artificial
entre a lei de Deus (“moral”) e a lei de Moisés (“cerimonial”), dizendo que
esta foi removida enquanto aquela permanece. Paulo acabou de dizer que os
judeus não estavam mais sujeitos “à lei” (6) e agora cita um dos
mandamentos da mesma lei: “Não cobiçarás”. Este mandamento é um dos dez
mandamentos (veja Êxodo 20:17), parte da suposta lei moral. Ainda é pecado
cobiçar, mas não por causa da lei antiga. É condenada na Nova Aliança que nos
guia (Efésios 5:3).
A lei
traz a consciência do pecado (8-9) e é ligada à morte (10-11). Quem busca a
vida terá que procurar em outro lugar, pois a lei não traz a salvação.
II. ADÃO ILUSTRADO NA
ANALOGIA DA SOLIDARIEDADE DA RAÇA (Rm 7.6-13)
Romanos – Capítulo 7
6 Agora,
porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos,
de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra.
7 Que
diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o
pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a
lei não dissera: Não cobiçarás.
8 Mas o
pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de
concupiscência; porque, sem lei, está morto o pecado.
9
Outrora, sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e
eu morri.
10 E o
mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para
morte.
11 Porque
o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me
matou.
12 Por
conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom.
13 Acaso
o bom se me tornou em morte? De modo nenhum! Pelo contrário, o pecado, para
revelar-se como pecado, por meio de uma coisa boa, causou-me a morte, a fim de
que, pelo mandamento, se mostrasse sobremaneira maligno.
1. De volta ao paraíso. Paulo considerava Adão o cabeça
e o representante da humanidade. A sua Queda levou todos os homens a caírem com
ele. Aqui o objetivo do apóstolo é vincular a desobediência de Adão à
humanidade. Adão pecou, logo todos pecaram. Uma leitura cuidadosa das palavras
de Paulo em Romanos 7 a 11 mostrará a estreita relação que elas têm com os
fatos ocorridos em Gênesis capítulo 3. Por exemplo, a expressão não “cobiçarás”
é uma alusão a Gênesis 3.1-6. Por outro lado, as palavras de Paulo “eu vivi sem
lei” (Rm 7.9), só têm sentido se aplicado na vida de Adão, pois Paulo como
fariseu e judeu que era vivia a lei desde a infância (2Tm 3.15). Aqui Paulo,
como ser humano, se via em Adão. As expressões “eu morri” e o “pecado me
enganou” ganham paralelo com Gênesis 2.17 e 3.13.
2. Lembranças do Sinai. Outra razão, no entendimento de
muitos intérpretes da Bíblia, que levou o apóstolo a se ver em Adão está na
crença judaica de que o primeiro homem viveu os princípios da Torá (lei), mesmo
tendo existido muito antes da sua promulgação no Sinai. De fato, essa é uma
crença muito bem documentada na literatura rabínica. Filo de Alexandria,
filósofo judeu, por exemplo, dizia que a cobiça, pecado praticado por Adão no
paraíso, era a raiz de todos os males.
3. A lei dada a Adão. O fato é que Adão estava debaixo
do mandamento, da ordenança de não comer da árvore do conhecimento do bem e do
mal (Gn 2.17). A intenção do apóstolo é fazer um paralelo entre o Paraíso e o
Sinai, entre a lei de Moisés e a ordenança que foi dada a Adão. O mandamento
que foi dado a Adão para trazer vida se converteu através da ação da antiga
serpente, personificação do Diabo, em morte. Da mesma forma, a Lei de Moisés
que foi dada para trazer vida, mas o pecado, como personificação do mal, a
transformou em um instrumento de morte.
SÍNTESE DO TÓPICO (II)
Paulo
mostra que Adão é o cabeça e representante da raça humana.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
Professor, reproduza o esquema abaixo e utilize-o para
enfatizar o que dispomos como descendência de Adão e como filhos de Deus.

III. O CRISTÃO
ILUSTRADO NA ANALOGIA ENTRE CARNE E ESPÍRITO (Rm 7.14-25)
Romanos – Capítulo 7
14 Porque
bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à
escravidão do pecado.
15 Porque
nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e
sim o que detesto.
16 Ora,
se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.
17 Neste
caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim.
18 Porque
eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer
o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.
19 Porque
não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.
20 Mas,
se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita
em mim.
21 Então,
ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.
22
Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
23 mas
vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente,
me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.
24
Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
25 Graças
a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a
mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.
1. A santidade da lei. Um interlocutor atento poderia
argumentar que o apóstolo estaria desqualificando a Lei, reduzindo-a a algo
extremamente mal. Paulo se adianta e responde: “Assim, a lei é santa; e o
mandamento santo, justo e bom” (Rm 7.12). Não há nenhum problema com a Lei. A
Lei é boa e seu propósito também. O problema, portanto, não estava na Lei, mas naqueles
que se regiam por ela. Como o apóstolo já havia argumentado, o problema estava
dentro do homem, no pecado que habitava nele, e não na existência de uma lei
externa (Rm 7.18).
2. A malignidade da carne. Não há dúvida que todo cristão
entende bem essas palavras de Paulo em Romanos 7.22,23. Essas palavras revelam
o conflito entre a nossa nova natureza em Cristo e o “velho homem” residente em
nós. É a guerra entre a carne e o espírito. A quem essas palavras de Paulo se
destinam? O contexto parece não deixar dúvidas de que Paulo tinha em mente os
crentes que, pelo fato de serem cristãos, acreditavam que poderiam viver
vitoriosamente sem o Espírito Santo. Embora Paulo tenha deixado para tratar
sobre o ministério do Espírito Santo no capítulo 8 de Romanos, ele já chama
aqui a atenção para o viver “em novidade do Espírito” (Rm 7.6) como forma de
vencer as inclinações da carne.
3. A velha natureza. Nossa antiga natureza está
constantemente tentando rebelar-se contra Deus. Não temos como lutar contra o
pecado usando a nossa força. O Espírito Santo, que habita em nós, ajuda-nos a
vencer a velha natureza.
SÍNTESE DO TÓPICO (III)
Paulo
faz uma analogia para mostrar a luta da carne com o Espírito.
SUBSÍDIO
BIBLIOLÓGICO
“O conflito entre a Lei e o pecado (7.14-25)
Esse conflito é inevitável. Duas leis se
chocam — a lei do pecado e a lei de Deus. Podemos chamá-las de lei carnal e lei
espiritual. Entretanto, esse conflito pode ser facilmente dominado pelo crente,
se ele dominar o pecado pela lei espiritual. O campo de batalha entre essas
duas forças é interior ao homem. Paulo ilustra o coração como o interior de
nossas vidas para mostrar esse conflito.
A lei é espiritual (v.14). Mais uma vez o
apóstolo declara que o problema não está na lei de Deus, mas na natureza
pecaminosa do homem. Quando ele declara ‘sou carnal’ está, na verdade, dizendo
que ele é feito carne, isto é, sujeito à lei do pecado que opera na carne. Ele
diz, também, que é ‘vendido sob o pecado’, ou, à escravidão do pecado.
Significa que, queira ou não, está na sua carne, a tendência pecaminosa que o
escraviza a faz de sua natureza pecaminosa a sede de operações para o pecado.
Essa escravidão envolve toda a personalidade do homem. Porém, esse envolvimento
encontra uma barreira para o domínio total do pecado, que é a lei espiritual.
O conflito entre lei e o pecado
(v.15). Nestas palavras o apóstolo se sente o centro do conflito no seu
interior, e não consegue entender porque pratica certos atos que contrariam sua
real vontade. Ele vê o conflito entre o bem e o mal, e, às vezes, esse conflito
é tão intenso que ele não consegue descobrir o ‘porquê’ desse conflito que o
leva fazer certos atos” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da
Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, pp.85,86).
O Homem Desventurado (Romanos 7:12-25)
Paulo era pecador. A lei era contrária a ele e,
porém, realmente santa e justa. O que é santo e justo é, necessariamente, bom.
No resto deste capítulo, Paulo procura explicar a relação do pecador à lei,
frisando claramente a necessidade de um Salvador.
A Lei é
Boa (12-14)
Foi a lei em si que matou Paulo? Não! O pecado
causou a sua morte (12-13). O pecado é maligno, enquanto a lei é boa. A lei é espiritual,
mas o homem pecador é carnal (14).
A Lei X O
Pecado (14-24)
Este trecho desafia o estudante. Paulo fala aqui
sobre a sua situação na época que escreveu ou sobre a sua situação no passado,
antes de ser salvo por Jesus? Considere:
1. Há uma batalha na vida do cristão, em que este
peca e não faz tudo que quer em serviço a Deus (veja Gálatas 5:17; 1 João
1:8-10; Efésios 6:12). Se Paulo falasse aqui apenas desta batalha, daria para
entender como a circunstância atual do cristão.
2. Mas Paulo não fala somente de batalha. Fala da
escravidão, do domínio do pecado, do fracasso, etc. Estas palavras sugerem a
situação dele antes de conhecer Cristo. Note os contrastes na tabela abaixo.
Concluímos,
então, que Paulo refere-se, aqui, ao problema do homem pecador sem Cristo.
Mesmo o homem que quer fazer o bem não tem força suficiente para vencer o
pecado e guardar a lei. “Não há justo, nem um sequer” (3:10). O
homem que procura se justificar pelos atos de mérito será vencido pelo pecado e
consumido pela morte.
Qual a
solução? O entendimento do problema do pecado, que Paulo conseguiu pela lei,
leva o pecador ao grito desesperado: “Desventurado homem que sou! Quem me
livrará do corpo desta morte?” (24)
A Única
Resposta (25)
A resposta, a única resposta, a única resposta para
qualquer pessoa (tanto judeus como gregos): “Graças a Deus por Jesus
Cristo, nosso Senhor” (25). Deixado sozinho, Paulo ainda serviria a
Deus com a mente, mas não se livraria do pecado.
Mas ele não foi deixado sozinho. O capítulo 8
mostra como Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) ajuda o cristão a fazer a
vontade de Deus.
|
Antes (sob o pecado/no regime da
lei)
|
Agora (sob a graça de Cristo)
|
|
Sou
carnal (7:14)
Vivíamos
segundo a carne (7:5)
|
Não
andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito (8:4)
Os que
estão na carne não agradam a Deus (8:8)
Se está
na carne, não é de Cristo! (8:9)
Não
somos constrangidos a viver segundo a carne, que leva à morte (8:12-13)
Nada
disponhais para a carne (13:14)
|
|
Vendido
à escravidão do pecado (7:14)
Outrora,
escravos do pecado (6:17,20)
Escravidão
da impureza (6:19)
|
Não
somos escravos do pecado (6:6)
Libertados
do pecado (6:18,22)
Servos
da justiça (6:19)
|
|
O
pecado habita em mim e controla as minhas ações (7:15-23)
|
O
Espírito habita no cristão e o guia (8:9-15)
|
O Espírito X A Carne (Romanos 8:1-17)
No final do capítulo 7, Paulo disse que Jesus Cristo é a
resposta à necessidade mais urgente do homem: a libertação da
morte espiritual (7:24-25). O capítulo 8 afirma que Deus (Pai, Filho e Espírito
Santo) trabalha para a salvação dos fiéis. É um capítulo que consola todos que lutam contra o
pecado no serviço ao Senhor.
Livres em Cristo (1-4)
Aqueles que estão em Cristo foram libertados de:
(a) Condenação (1)
(b) A lei do pecado (2)
(c) A lei da morte (2)
Em Cristo, Deus fez o que a lei não
podia fazer (3-4). Jesus veio na carne para fazer o que a lei não fez
por causa da fraqueza da carne. Deus, através de Jesus, condenou o pecado. Assim ele
cumpre o propósito da lei em nós. A
lei era oposta ao pecado (condenou o pecado), mas não
venceu o pecado. As pessoas sujeitas à lei ainda andavam na carne, sujeitas à
morte. Em Jesus, Deus condenou e venceu o pecado. Aqueles que participam dessa
vitória andam segundo o Espírito,
não segundo à carne.
Espír ito X Carne (5-17)
Este trecho apresenta vários
pontos de contraste entre a carne e o Espírito (estude a tabela abaixo).
|
Carne
|
Espírito
|
|
Os que
inclinam para a carne cogitam das coisas carnais (5)
|
Os que
inclinam para o Espírito cogitam das coisas espirituais (5)
|
|
O
pendor (inclinação ou tendência) da carne leva à morte (6)
|
O
pendor do Espírito leva à vida e à paz (6)
|
|
Inimizade
contra Deus (7)
|
Os
fiéis estão no Espírito (9)
|
|
Não
sujeito à lei de Deus (7)
|
hhh
|
|
Não
agrada a Deus (8)
|
hhh
|
|
Não
pertence a Cristo (9)
|
Cristo
habita nos fiéis (10)
|
|
Corpo
morto por causa do pecado (10)
|
O
espírito é vida por causa da justiça (10)
|
|
hhhh
|
O
Espírito de Deus ressuscitará o corpo daqueles em que ele habita (11)
|
|
Aqueles
que vivem segundo a carne caminham para a morte (12)
|
Aqueles
que, pelo Espírito, matam os feitos da carne, caminham para a vida (12)
|
|
hhh
|
Os
filhos são guiados pelo Espírito (13)
|
|
Aqueles
que andam segundo a carnesão escravos, atemorizados (14)
|
Os
filhos andam segundo o Espírito e gozam intimidade com Deus (14-16)
|
|
hhh
|
Os
filhos de Deus são seus herdeiros, e serão glorificados com Cristo (17)
|
Sofrimento e Esperança (Romanos 8:18-25)
No
versículo 17 (veja o artigo sobre Romanos 8:1-17 na edição anterior), Paulo
falou do nosso sofrimento em relação ao sofrimento de Cristo, e também em
relação à esperança da glória. Neste parágrafo, ele desenvolve este tema,
confortando os discípulos com o conhecimento do poder ativo de Deus em nossas
vidas. Apesar das angústias na vida presente, o servo do Senhor tem esperança e
confiança da glória por vir. Considere os contrastes apresentados na tabela
abaixo.
A Ardente
Expectativa
A
expressão "ardente expectativa" usada no versículo 19 vem de uma
palavra grega que significa "olhar ou vigiar com a cabeça separada (ou com
o pescoço estendido)", como uma pessoa olha em grande esperança para a
chegada de alguém. Se a criação em geral aguarda com tanta expectativa a glória
preparada por Deus, como nós devemos nos esforçar para alcançar a bênção da presença
eterna do Senhor!
“Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (31). O homem precisa de
livramento (7:24) que vem somente em Jesus Cristo (7:25). Uma vez resgatado da
escravidão na carne, anda segundo o Espírito
(8:1-4) como um filho e herdeiro de Deus (8:14-17). Ainda depois de receber a
grande bênção da redenção, os filhos de Deus sofrem num mundo
corrompido pelo pecado, esperando com paciência a libertação final (8:17-25).
Na situação atual do discípulo de Jesus, o que Deus faz para ajudar?
Lembramos que ele faz “muito mais agora” para nos levar à salvação eterna (5:6-11). Estes últimos
versículos de Romanos 8 nos asseguram que Deus – Pai,
Filho e Espírito Santo – continua ativo para nos proteger e nos salvar.
O Espírito Intercede por Nós (26-27)
Há momentos em que não
achamos as palavras para expressar os nossos sentimentos. Se acontece na
comunicação entre seres humanos, muito mais quando o
homem tenta comunicar com Deus. O Espírito vai além das palavras para comunicar a Deus o que nós não
conseguimos.
Deus Dá Tudo para Nos Salvar (28-33)
Em momentos de angústia, é difícil
ser otimista. Mas, o servo de Deus pode olhar para além das
dificuldades atuais e confiar na sabedoria do Deus eterno que o ama. Desde a
eternidade, ele trabalha para o nosso bem. E ele não mede
esforço! Deu seu próprio Filho para nos salvar e obviamente não
recusará qualquer outra coisa que seja necessária
para a nossa salvação. O terrível acusador foi expulso da presença de
Deus (Apocalipse 12:10), e ninguém consegue condenar os herdeiros de Deus.
Jesus Também Intercede por Nós (34-39)
Jesus morreu, ressuscitou-se e está à
destra do Pai intercedendo por nós! Ele venceu os inimigos, até a própria
morte. Sabendo do poder ilimitado de Jesus, “Quem nos separará do amor de Cristo?” (35). Mesmo na hora de ser entregue ao matadouro, o cristão tem
a confiança da vitória. Nenhum sofrimento e nenhuma criatura
podem nos separar do amor de Cristo.
“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio
daquele que nos amou” (37).
Liberdade da Lei (Romanos
7:1-25)
Introdução: Resumo do contexto da lei em Romanos;
veja 3:20-21,30-31; 4:13-16; 5:20-21; 6:14
A lei testemunhada e estabelecida pelo evangelho de
Cristo
A lei entrou para aumentar a transgressão a fim de
mostrar a necessidade de Cristo
Promessa não através da lei; ninguém justificado
por lei
No contexto, primeiramente referindo à Lei de
Moisés, mas, no princípio, a qualquer lei
Não podemos ser justificados por um sistema legal,
numa base de lei
A inocência pela lei envolve guardá-la
Cristo não veio para trazer uma lei melhor de modo
que guardando-a poderíamos ser salvos
Não estamos sob a lei como meio de justificação
Não sob a lei (7:1-6)
Lembre-se de 6:14: não estamos debaixo da lei, mas
da graça
Proposição básica (7:1): a lei não obriga os mortos
Ilustração (7:2-3)
A morte liberta a pessoa da lei do casamento
Enquanto o marido vive, a mulher é adúltera se
casar-se com o outro homem
Aplicação (7:4): desde que morremos e a
lei não obriga os mortos, não estamos sob a lei
Por meio do corpo de Cristo, seu corpo crucificado
Participamos da morte de Cristo e de seu
significado quando somos batizados (6:3-4)
Na morte de Cristo ele satisfez a exigência da lei
(Gálatas 3:13), e assim, em nossa união com a morte
de Cristo somos libertados da lei
Observe os significativos paralelos entre os
capítulos 6 e 7
Morremos para o pecado, para a lei (6:2; 7:4)
Estamos livres do pecado e da lei (6:18; 7:3)
Justificados do pecado, libertados da lei (6:7;
7:6)
Novidade de vida, novidade de espírito (6:4; 7:6)
No batismo, somos libertados do pecado e da lei
Resumo (7:5-6)
Quando vivíamos: capítulo 7
Segundo a carne; dependentes de nossa própria
capacidade moral
As paixões operavam pela lei e produziram o pecado
em nossos membros
O pecado levou à morte
Agora: capítulo 8
Libertados da lei
Servir em novidade de espírito e não em antigüidade
da letra:
Compara aquele que tem a lei em livros e rolos,
porém não a obedeceu, com o homem que permite
à lei penetrar em seu coração
(veja Romanos 2:25-29; Ezequiel 36:26-27; Jeremias 3:6-10; 31:31-34)
(veja Romanos 2:25-29; Ezequiel 36:26-27; Jeremias 3:6-10; 31:31-34)
2 Coríntios 3:6 compara a época da lei e a época do
espírito; isto é, judaismo com cristianismo
Perguntas:
1. Qual é o princípio básico referente à
aplicação de lei (7:1)?
2. Como Paulo ilustrou este princípio?
3. Qual é a aplicação que ele fez (7:4)?
4. Desafio adicional: Quais são os
contrastes entre 7:5 e 7:6?
É a lei pecado? (7:7-13)
Paulo corrige um possível mal-entendido de seu
ensinamento. Ele tinha dito que o pecado era através dalei e alguém poderia
pensar que ele estivesse fazendo da lei o autor do pecado.
O propósito de Paulo neste parágrafo e no próximo é inocentar a lei
O propósito de Paulo neste parágrafo e no próximo é inocentar a lei
De fato, a lei define o pecado e tornou Paulo
ciente do pecado (7:7)
O pecado usava a lei como uma oportunidade para
produzir a ação errada (7:8-11)
O pecado é um tirano que abusa da lei para matar
A lei torna-se a base de operações que o pecado usa
Considere o caso de Adão e Eva
O diabo usou o mandamento de Deus. Ele perguntou,
"Deus disse?"
Persuadiu-os a pecar, e assim matou-os
Considere o caso de Paulo
Sem a lei (na infância): o pecado estava morto e
ele estava vivo [este texto refuta a doutrina do pecado
herdado]
Quando veio o mandamento (em tempo de
responsabilidade): o pecado tornou-se vivo e ele morreu
Assim o mandamento que foi dado para dar vida
terminou produzindo morte porque o pecado usa a lei
para nos matar
Resumo (7:12-13)
A lei em si é santa, justa e boa
Não foi a lei, mas o pecado usando a lei, que
causou a morte
Não culpe a espada porque nas mãos do inimigo ela
mata o homem, para cuja defesa ela foi feita
Não culpe o extintor de incêndio se alguém o usar
para bater e matar outra pessoa
O pecado usa a lei talvez em dois sentidos
Não haveria pecado se não houvesse lei, porque o
pecado é uma violação da lei
Algumas vezes o que é proibido automaticamente se
torna mais atraente (Provérbios 9:17)
O abuso da lei pelo pecado
Mostra a malignidade do pecado causando a morte
pelo que é bom
Mostra a necessidade da salvação
Perguntas:
1. Qual o relacionamento entre o pecado e a lei?
2. Quando Paulo era vivo sem a lei?
3. Qual é a avaliação de Paulo referente à lei?
4. Quais propósitos a lei cumpriu?
A debilidade da lei (7:14-25)
Os principais propósitos deste trecho
Para inocentar a lei, e pôr a responsabilidade pelo
pecado no homem
Para mostrar como o pecado usa a lei para produzir
a morte
Para mostrar a relação entre o homem e a lei
Para mostrar nossa necessidade de sermos redimidos
da lei
A lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido à
escravidão do pecado
O problema não era a lei, mas o material com o qual
a lei tinha que trabalhar (7:16; 8:3)
Paulo está se descrevendo sob a lei, deixado a si
mesmo
Paulo terminou fazendo o que ele não queria fazer
Quando um homem fica sozinho diante da lei de Deus,
o pecado entra, captura e escraviza; um homem
não é senhor nem mesmo de sua própria casa
O problema não está com o desejo, mas com a
execução
Ilustração: que força moral há para manter limpa
uma folha de papel suja? Não importa o que Paulo fez,
ele era um pecador
Cinco leis
Lei de
Deus = lei da minha mente: o que ele queria fazer
Lei do
pecado = lei de meus membros; o que ele acabou fazendo
Lei
completa de seu ser (7:21): uma luta existe entre as duas leis e a lei do
pecado vence
Conclusão (7:24-25)
Desventurado homem que sou! Grito desesperado por
socorro do homem que apesar de uma luta valente
é ainda mantido cativo pelo pecado
Graças a Deus: Cristo é o libertador; antecipa o
capítulo 8, onde o homem é libertado da lei do pecado
em Cristo
Resumo: o estado do homem sem a graça: ele deseja
servir a Deus mas as paixões pecaminosas levam-no
a servir a lei do pecado
Aplicação: alguns não
obedecem ao evangelho porque temem que não possam "vivê-lo". A
verdade é que não podem fora de Cristo.
Eles não devem tentar
aperfeiçoar-se por si mesmos antes dechegarem ao evangelho
Perguntas:
1. Como era a condição do homem descrito neste
parágrafo?
2. Como Paulo poderia conseguir escapar o domínio
do pecado?
3. Desafio adicional: Este homem estava sob
a lei ou sob a graça? Defenda sua resposta.
CONCLUSÃO
Mesmo vivendo debaixo da graça o crente experimenta
o conflito entre sua antiga natureza e sua nova vida em Cristo. Como viver uma
vida nova, se a velha vida ainda continua querendo ocupar seu antigo espaço? A
resposta do crente está na compreensão de que a solução a esse conflito está em
responder positivamente à nova vida espiritual, dependendo inteiramente da
graça de Deus.
PARA REFLETIR
A respeito da Carta aos Romanos, responda:
O que Paulo desejava mostrar com a metáfora do casamento?
Paulo desejava mostrar que homem algum
pode ser salvo pela Lei, até mesmo aqueles que a guardam com zelo e devoção.
Paulo usou o casamento para mostrar o nosso relacionamento com a Lei. O
apóstolo ressalta que o contrato de casamento perde sua validade quando um dos
cônjuges morre. Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal “ao morrermos com
Cristo, a Lei não pode mais nos condenar; estamos unidos a Cristo”.
Como pode ser entendida a expressão “mortos para lei pelo corpo de
Cristo”?
A expressão “mortos para a lei pelo
corpo de Cristo” é entendida pelos intérpretes como uma referência à morte de
Cristo e a nossa identificação com Ele.
Segundo Paulo, quem é o cabeça da raça humana?
Paulo
considerava Adão o cabeça e o representante da humanidade.
Segundo Paulo, a lei e seus propósitos são bons?
Sim.
A Lei é boa e seu propósito também. O problema, portanto, não estava na Lei,
mas naqueles que se regiam por ela.
Quem pode nos ajudar no embate contra a velha natureza?
O
Espírito Santo, que habita em nós.
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
A Lei, a carne e o Espírito
Sobre o papel da Lei — Lembre-se sempre de que um dos
métodos argumentativos do apóstolo em suas epístolas é o de criar perguntas
retóricas a fim de ensinar determinada doutrina. Como por exemplo: se pela Lei
eu conheço o pecado, então a Lei é má? O apóstolo responderá imediatamente: De
modo nenhum (Rm 7.7). Se a Lei é de Deus, ela é boa e santa. Mas, então, ela se
tornou morte para mim? — De modo nenhum (Rm 7.13) — mais uma vez responde o
apóstolo.
No versículo 7, o que vemos é o apóstolo Paulo
rejeitando a ideia de que a Lei é má, ou é pecado. Pelo contrário, o apóstolo
afirma que é pela Lei que conhecemos o pecado. Ou seja, não que pela Lei
consumamos o pecado, mas o conhecemos. Aqui há uma diferença gigante entre o
conhecer o pecado e o praticar o pecado. Alguém pode perguntar: Então o que fez
o ser humano pecar? De pronto o apóstolo responde: “Mas o pecado, tomando
ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência: porquanto, sem
a lei, estava morto o pecado” (v.8). Logo, a Lei não é pecado.
No versículo 13, mais uma pergunta retórica: a Lei
tornou-se morte para mim? A resposta do apóstolo é mais um vigoroso: De modo
nenhum. Na sequência do texto o apóstolo Paulo mostra que o que ocorre é
exatamente o contrário: quem produz a morte não é a Lei, senão o pecado. O
pecado é quem produz a morte no ser humano. A Lei o desmascara e sobre ele nos
convence.
Lei e Pecado — Lei e Pecado são elementos diametralmente
opostos. A santidade da Lei e em relação ao pecado é de uma seriedade e
solenidade na epístola de Romanos ao ponto de o apóstolo deixar claro de que a
Lei não é a ministradora do pecado ou da morte. Digamos que ela agrava o
Pecado.
Há um ditado popular que diz: “Tudo o que é
proibido é mais gostoso”. A partir do momento em que o ser humano toma contato
com a proibição é como se houvesse uma revolta contra aquela proibição e uma
necessidade imensa de violar aquilo que está proibido. E nossa natureza
pecaminosa. Se não quebrada a norma, nenhuma consequência. Mas no caso da
pessoa que viola tal norma, sofrerá ela as consequências da norma. Por esse
aspecto, podemos dizer que a norma agrava a violação, pois se não houvesse a
norma não haveria a violação. Se houvesse Lei, não haveria o pecado. A graça de
Deus apresentada pelo apóstolo Paulo implica num compromisso muito sólido e
vivo com a ética do Reino de Deus e sua justiça.
QUESTIONÁRIO
1. Qual é a definição dos judeus para a lei?
R. Os judeus definem a
Lei de Moisés como a expressão máxima da vontade de Deus.
2. Quem cumpriu integral e perfeitamente a lei?
R. Jesus Cristo.
3. Qual é a aplicação da ilustração do casamento usada por Paulo?
R. Mostra que os
cristãos estão mortos para a lei. Ou seja: estão livres dela, pois a lei só tem
domínio sobre o homem enquanto este vive.
4. Qual é a tríplice função da lei?
R. A lei veio revelar o
pecado; a lei veio provocar o pecado; e a lei veio condenar o pecado.
5. Que notícia o apóstolo trouxe-nos do céu?
R. O nosso contrato de
casamento com lei fora dissolvido, pois morremos com Cristo.
AUXÍLIOS SUPLEMENTARES
Subsídio Teológico
“A palavra traduzida ‘lei’ (gr. nomos; hb. torah)
significa ‘ensino’ ou ‘instrução’. O termo lei pode referir-se aos Dez
Mandamentos, ao Pentateuco ou a qualquer mandamento no AT. O uso por Paulo da
palavra ‘lei’ pode incluir o sistema sacrificial do concerto mosaico. A
respeito dessa lei. Paulo declara várias coisas:
(1) Ela foi dada por Deus ‘por causa das
transgressões’, i.é., a fim de demonstrar que o pecado é a violação da vontade
de Deus, e despertar os homens a verem sua necessidade de misericórdia, graça e
salvação de Deus em Cristo (v.24; cf. Rm 5.20; 8.2).
(2) Embora o mandamento fosse santo, bom e justo (Rm
7.12), era inadequado, porque não conseguia transmitir vida espiritual nem
força moral (3.21; Rm 8.3; Hb 7.18.19).
(3) A lei funcionou como ‘aio’ ou tutor do povo de
Deus até que viesse a salvação pela fé em Cristo (vv.22-26). Nessa função, a
lei revelou a vontade de Deus para o comportamento do seu povo (Êx 19.4-6;
20.1-17; 21.1—24.8), proveu sacrifícios de sangue para cobrir os pecados do seu
povo (ver Lv 1.5; 16.33) e apontou para a morte expiatória de Cristo (Hb 9.14;
10.12-14).
(4) A lei foi dada para nos conduzir a Cristo a fim de
sermos justificados pela fé (v.24). Mas agora que Cristo já veio, finda está a
função da lei como supervisora (v.25). Por isso, já não se deve buscar a
salvação através das provisões do antigo concerto, nem pela obediência às suas
leis e ao seu sistema de sacrifícios. A salvação, agora, tem lugar de
conformidade com as provisões no novo concerto, a saber, a morte expiatória de
Cristo, a Sua ressurreição gloriosa e o privilégio subsequente de pertencer a Cristo
(vv.27-29)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD).
Subsídio Devocional
No livro Carta aos Romanos, CPAD, o pastor
Elienai Cabral oferece um comentário esclarecedor a respeito da analogia do
casamento usada por Paulo nos versículos 1 a 6:
“‘Assim, meus irmãos, também vós’ (v.4). Paulo faz
a aplicação da ilustração do matrimônio aos crentes em Cristo. Num sentido
espiritual, o crente está morto para a lei do pecado, estando livre para
pertencer a outro. — A quem pertence o crente, uma vez que está livre do poder
da lei? — Pertence a Cristo! Aprendemos aqui, conforme a ilustração, que a
mulher casada está sob o domínio da lei do matrimônio enquanto o marido estiver
vivo. Porém, a morte encerra esse domínio e a mulher fica livre para casar-se outra
vez. Entende-se, então, que a mulher casada está sujeita à lei do matrimônio
durante o curso da existência do marido, ‘mas se morrer o marido, está livre da
lei’ (7.3). Paulo fala especialmente a alguns judeus cristãos que tinham
dificuldades de se desvencilharem das ‘amarras da lei’. Imaginavam-se presos a
ela, porque nasceram sob a tutela da lei. Paulo ensina que, uma vez que Cristo
morreu por todos, sua morte os libertou do poder da lei, ficando livres para um
novo modo de vida”.

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