A Parábola do Filho Pródigo
por
por
Dr. David Martin Lloyd-Jones
“E disse: Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente. E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se. E o seu filho mais velho estava no campo; e, quando veio e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos. Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas. Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado” (Lucas 15:11-32).
Não há parábola ou
discurso de nosso Senhor que seja tão conhecido e tão popular como a
parábola do filho pródigo. Nenhuma outra parábola é citada com mais
freqüência em discussões religiosas, ou mais usada para apoiar várias
teorias ou controvérsias em relação a este assunto. E é verdadeiramente
espantoso e admirável quando observamos as inumeráveis formas em que ela
é usada, e a infinita variedade de conclusões a que afirmam que ela
leva. Todas as escolas de pensamentos parecem ter uma reivindicação
sobre a mesma: ela é usada para provar toda espécie de teorias e idéias
opostas, que combatem umas às outras e que se excluem mutuamente. É
bastante claro, portanto, que a parábola pode facilmente ser manipulada
ou mal interpretada. Como podemos evitar esse perigo? Quais os
princípios que devem nos orientar quando a interpretamos? Pessoalmente
creio que há dois principais fundamentais que devem ser observados, e
que se observados, garantirão uma interpretação correta.
O primeiro
principio é que sempre devemos nos precaver do perigo de interpretar
qualquer passagem das Escrituras de uma forma que entre em conflito com o
ensino geral da Bíblia. O Novo Testamento deve ser examinado como um
todo. É uma revelação completa e integral, dada por Deus através dos
Seus servos - uma revelação que foi dada em partes que, unidas, formam
uma unidade completa. Portanto, não há contradições entre essas várias
partes, não há conflito nem passagens ou declarações irreconciliáveis.
Isso não significa que podemos entender cada uma de suas declarações. O
que estou dizendo é que não há contradição nas Escrituras e sugerir que
os ensinos de Jesus Cristo e de Paulo, ou os ensinos de Paulo e dos
demais apóstolos não concordam entre si é contrário a todas as
reivindicações do Novo testamento em si, e as reivindicações da Igreja
através dos séculos, até o levantamento da chamada escola da alta
crítica, há cerca de cem anos atrás. Não preciso abordar a questão aqui.
Basta dizer que são apenas os críticos mais superficiais, os que agora
estão ultrapassando em muitos anos, que ainda tentam defender uma
antítese entre o que chamam de “a religião de Jesus” e a “fé do apóstolo
Paulo”. Escrituras devem ser comparadas com Escrituras. Cada teoria que
desenvolvemos deve ser testada pelo conjunto geral de doutrinas e
dogmas da Bíblia toda, e que foi definido pela Igreja. Se esta regra
fosse lembrada e observada, a maioria das heresias jamais teria surgido.
O segundo
principio é um pouco mais específico: sempre devemos evitar o perigo de
chegar a conclusão negativas a respeito dos ensinos de uma parábola.
Isso não se aplica somente a esta parábola em particular, mas a toda as
parábolas. Uma parábola nunca tem o propósito de ser um esboço completo
da verdade. Seu objetivo é comunicar uma grande lição, ou apresentar um
grande aspecto de uma verdade positiva. Sendo esse o seu objetivo e
propósito, nada é mais tolo do que chegar a conclusões negativas a
respeito de uma parábola. A omissão de certas coisas numa parábola não
tem qualquer significado particular. Uma parábola é importante e
significativa por causa daquilo que ela diz, e não devido às coisas que
não diz. O seu valor é exclusivamente positivo, e de forma alguma
negativo. Ora, digo a vocês que a desconsideração desta simples regra
tem sido responsável pela maioria das estranhas e fantásticas teorias e
idéias supostamente desenvolvidas a partir desta parábola do filho
pródigo. É impressionante que tal coisa tenha sido possível, pois se
aquele que fizeram isso tão-somente tivessem examinado as outras duas
parábolas que encontramos neste mesmo capítulo, teriam compreendido
imediatamente até que ponto seus métodos foram injustificáveis. Porque
então, não tiraram delas também conclusões negativas? E igualmente com
todas as outras parábolas?
Mas, à parte
disso, como é ridículo e ilógico, basear e estabelecer nosso sistema de
doutrina sobre algo que não é dito! É por demais desonesto! Desonesto,
porque ignora toda a autoridade, deixando-nos sem quaisquer padrões
exceto nossos próprios preconceitos, desejos e imaginações. E isso,
repito, é o que tem sido feito com esta parábola com tanta freqüência.
Quero ilustrar isso, lembrando-lhes de algumas das falsas conclusões
tiradas desta parábola. Não seria esta parábola a qual se referem
constantemente quando tentam provar que idéias de justiça, juízo e ira
são completamente estranhas à natureza de Deus e aos ensinos de Jesus a
respeito dEle? “Não vemos nada aqui”, dizem, “acerca da ira do pai, nem
qualquer exigência de certos atos por parte do filho — somente amor,
puro amor, nada senão amor”. Este é um exemplo típico de uma conclusão
negativa tirada desta parábola. Só porque ela não apresenta um ensino
declarado sobre a justiça e ira de Deus, presumem que tais
características não fazem parte da natureza de Deus. O fato de Jesus
Cristo enfatizar essas características em outros textos é completamente
ignorado. Outro exemplo é o ensino de que esta parábola elimina a
absoluta necessidade de arrependimento. Ouvi falar de um pregador que
tentou provar que o pródigo era um farsante, mesmo quando voltou para
casa, que ele decidiu dizer algo que soasse bem, ainda que realmente não
viesse do seu coração, apenas para impressionar o pai, e que a
repetição exata de suas palavras provava isso. O ponto crucial era que,
apesar de tudo isso, apesar da repetição hipócrita das palavras, ainda
assim o pai o perdoou. O argumento final desse pregador era que o pai
não disse uma palavra concernente ao arrependimento. Portanto, uma vez
que ele nada disse a respeito, não é importante; uma vez que o
arrependimento não é ensinado nem enfatizado pelo pai, isso significa
que arrependimento diante de Deus não importa!
Mas talvez a mais
séria de todas as conclusões falsas é aquela que declara que não há
necessidade de um mediador entre Deus e o homem e que a idéia de
expiação é estranha ao evangelho — a qual deve ser atribuída à mente
legalista de Paulo. “A parábola não faz qualquer menção”, dizem, “de
alguém entre o pai e o filho. Nenhuma referência é feita sobre outra
pessoa pagando um resgate, ou fazendo uma expiação; vemos apenas uma
interação direta entre o pai e o filho, resultante apenas da volta do
filho daquela terra distante”. Desde que tais coisas não são mencionadas
ou enfatizadas de forma específica na parábola, essas pessoas concordam
que elas não são realmente importantes ou imprescindíveis. Como se o
objetivo de nosso Senhor nesta parábola fosse apresentar um esboço
completo de toda a verdade cristã, e não apenas ensinar um aspecto dessa
verdade. Certamente deve ser óbvio para você que, se um processo
semelhante fosse aplicado a todas as parábolas, teríamos um completo
caos, e enfrentaríamos uma multidão de contradição!
O propósito de uma
parábola, então, é nos apresentar e ensinar uma grande verdade
positiva. E se há um caso em que isso deve ser claro e evidente, é no
caso desta parábola. Não é por acaso que ela é parte de uma série de
três parábolas. Nosso Senhor parece ter feito um esforço especial para
nos proteger do perigo ao qual estou referindo. Contudo, mesmo à parte
disso, a chave de tudo nos é oferecida nos dois primeiros versículos do
capítulo, que nos fornecem o contexto essencial. “E chegavam-se a ele os
publicamos para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam,
dizendo: este recebe pecadores, e come com eles”. Então se seguem estas
três parábolas, obviamente com o objetivo de tratar dessa situação
específica, e responder às objeções dos escribas
e fariseus. E, como se desejasse acrescentar uma ênfase especial, nosso
Senhor apresenta uma certa moral ou conclusão ao término de cada
parábola. O elemento principal, certamente, é que há esperança para
todos que o amor de Deus alcança, até mesmo publicanos e pecadores. A
gloriosa verdade que brilha nesta parábola, e que o Senhor quer gravar
em nós, é o maravilhoso amor de Deus, seu escopo e sua extensão; e isso é
feito especialmente em contraste com as idéias dos fariseus e dos
escribas sobre o assunto.
As primeiras duas
parábolas têm o propósito de nos mostrar o amor de Deus expresso numa
busca ativa do pecador, esforçando-se por encontrá-lo resgatá-lo; e elas
nos mostram a alegria de Deus e de todas as hostes celestiais quando
uma única alma é salva. E então chegamos a esta parábola do filho
pródigo. Por que ela foi acrescentada? Por que essa elaboração
suplementar? Por que um homem, em vez de uma ovelha ou moeda perdida?
Certamente pode haver uma resposta. As primeiras duas parábolas
enfatizam unicamente a atividade de Deus sem nos dizer coisa alguma a
respeito das ações, reações ou condições do pecador; porém esta parábola
é apresentada para realçar esse aspecto e esse lado da questão, para
que ninguém seja tolo ao ponto de pensar que todos seremos salvos
automaticamente pelo amor de Deus, assim como a ovelha e a moeda foram
encontradas. O ponto fundamental ainda é o mesmo, mas sua aplicação aqui
se torna mais direta e mais pessoal. Qual, então é o ensino desta
parábola, qual é a sua mensagem para nós hoje? Vamos examiná-la à luz dos seguintes parâmetros.
A primeira verdade que ela proclama é a possibilidade de um novo começo,
a possibilidade de um novo início, uma nova oportunidade, uma nova
chance. O próprio contexto e cenário da parábola, como já mencionei,
demonstra isso com perfeição. Foi porque eles sentiram e viram isso em
Seus ensinos que os publicanos e pecadores “chegavam-se a ele para
ouvir” — pois sentiam que havia uma oportunidade até mesmo para eles e
que nos ensinos desse homem havia uma nova e viva esperança. E até mesmo
os fariseus e os escribas viram exatamente a mesma coisa. O que
irritava era que o Senhor tivesse qualquer tipo de associação com os
publicanos e pecadores. Eles sempre tinham considerado tais pessoas como
irrecuperáveis, sem qualquer esperança de redenção. Essa era a opinião
ortodoxa de tais pessoas. Eram consideradas tão irremediáveis que eram
totalmente ignoradas. A religião era para pessoas boas e nada tinha a
ver com os que eram maus, e certamente nada tinha a lhes dar, nem
aconselhava que boas pessoas se misturassem com os maus, tratando-os com
bondade e oferecendo-lhes novas possibilidades. Então os ensinos de
Senhor irritavam os fariseus e os escribas. Para eles qualquer um que
visse possibilidade ou esperanças para um publicano ou pecador devia ser
um blasfemo, e estava totalmente errado. Exatamente o mesmo ponto surge
na parábola, nas diferentes atitudes do pai e do irmão mais velho para
com o pródigo — não como ele devia ser recebido de volta, mas se ele devia ser recebido de volta, ou se merecia alguma coisa.
Isso, então é o
que se salienta imediatamente. Existe a possibilidade de um novo começo,
e isso para todos, mesmo para aqueles que parecem estar além de toda
esperança. Não podia haver caso pior do que o do filho pródigo. Todavia
até mesmo ele pode começar de novo. Ele chegara ao fim de si mesmo,
tinha tocado os limites máximos da degradação, caindo tanto que não
podia descer mais! Não há quadro mais desesperador do que o desse jovem,
num país distante, em meio aos porcos, sem dinheiro e sem amigos,
desesperançado e miserável, abandonado e desalentado. Mas até mesmo ele
tem a oportunidade de um novo início; até mesmo ele pode começar outra
vez. Há um ponto decisivo que pode resultar em êxito e felicidade, até
mesmo para ele. Que evangelho abençoado, especialmente num mundo como o
nosso! Que diferença a vida de Jesus Cristo operou! Ele trouxe nova
esperança para a humanidade. Nada demonstra e prova mais o fato de que o
evangelho de Jesus Cristo realmente é a única filosofia de vida
otimista oferecida ao homem, do que publicanos e pecadores se chegarem a
Ele para ouvi-lO. E a mensagem que ouviram, como nesta parábola do
filho pródigo, era algo inteiramente novo.
Mas quero que
observem que isso não só era novo para os judeus e os seus líderes, mas
também para o mundo todo. A esperança estendida pelo evangelho aos mais
vis e desesperados não só contrariava o miserável sistema dos judeus,
mas também a filosofia dos gregos. Aqueles grandes homens tinham
desenvolvido suas teorias e filosofias; todavia nenhum deles tinha algo a
oferecer aos derrotados e liquidados. Todos exigiam um certo nível de
inteligência, integridade moral e pureza. Todos requeriam muito da
natureza humana à qual se dirigiam. Também não eram realistas. Escreviam
e falavam de forma altamente intelectual e fascinante a respeito de
suas utopias e suas sociedades ideais, mas deixavam a humanidade
exatamente na mesma situação. Eram totalmente alienados à vida diária do
homem comum. As únicas pessoas que podiam tentar colocar em prática
seus métodos idealistas e humanísticos para resolver os problemas da
vida eram os ricos e os desocupados, e mesmo estes invariavelmente
descobriam que esses métodos não funcionavam. Não havia, como nunca
houvera antes, qualquer esperança para os desesperados do mundo antes da
vinda de Jesus Cristo. Ele foi o único que proclamou a possibilidade de
um novo começo.
Ora, esse ensino
não era novo apenas naquela época, durante os Seus dias aqui na terra;
ainda é novo hoje em dia. Ainda é surpreendente e assombroso, e ainda
espanta o mundo moderno tanto quanto espantou o mundo antigo há quase
dois mil anos atrás. O mundo continua sem esperança e a filosofia que o
controla ainda é profundamente pessimista. E isso talvez possa ser
percebido com maior clareza quando ele tenta ser otimista, pois vemos
que quando tenta nos confortar, ele sempre aponta para o futuro com suas
possibilidades desconhecidas, e nos diz que no novo ano as coisas
certamente serão melhores ou que de qualquer forma não podem piorar! E
argumenta que a depressão já durou tanto que certamente uma mudança da
maré deve ser iminente! Alegra-se que um ano terminou e outro vai
começar. Qual é o segredo de um novo ano? Seu grande segredo está no
fato de que nada sabemos a seu respeito! Tudo que sabemos é ruim; daí
tentarmos nos consolar contemplando o que nos é desconhecido, imaginando
que vai ser muito melhor. Ouçam também as suas idéias e seus planos
para melhorar a humanidade. Tudo o que pode dizer é que está tentando
tornar o mundo melhor para seus filhos, tentando edificar algo para o
futuro e para a posteridade. Sempre no futuro! Nada tem a oferecer no
presente; sua única esperança é tornar as coisas melhores para aqueles
que ainda não nasceram. E quanto mais proclama isso e tenta colocá-lo em
pratica, mais hesitante se torna. Como prova, basta compararmos a
linguagem de 1875 com a de 1935 ou mesmo a de 1905 com a de 1935.
Pois bem, se essa é
a situação em relação à sociedade em geral, quanto mais desesperada e
irremediável ela é quando considerada num sentido mais individual e
pessoal! Que solução o mundo tem a oferecer para os problemas que nos
afligem? A resposta a essa pergunta pode ser vista nos esforços
frenéticos de homens e mulheres para tentarem resolver seus problemas.
E, no entanto, nada é mais evidente do que o fato que seus esforços são
inúteis e sempre fracassam. Ano após ano homens e mulheres fazem novas
revoluções. Compreendem que, acima de tudo, o que precisam é de um novo
começo. Decidem voltar as costas ao passado e virar uma nova página —
ou, às vezes, começam um novo livro! Esse é o seu desejo, essa é sua
firme decisão e intenção. Querem desvincular-se do passado, e por algum
tempo fazem o possível para isso, mas nunca permanecem no intento. Ao
poucos, inevitavelmente, voltam à sua velha posição e sua antiga
situação. E depois de algumas experiências assim, acabam desistindo de
tentar outra vez, e concluem que é tudo inútil. Lutam e se esforçam por
algum tempo, mas finalmente a fadiga e o cansaço os vencem, a pressão e a
força do mundo e suas filosofias parecem estar totalmente do outro
lado, e eles entregam os pontos. A posição parece ser inteiramente sem
esperança. Eu me pergunto: quantos, até mesmo aqui neste culto hoje,
sentem que estão nessa situação, de uma forma ou outra? Meu amigo, você
sente que perdeu o mundo, que se desviou? Sente-se constantemente
assediado pelo que “podia ter sido”? Sente que está em tal situação, ou
em tal posição, que não tem nenhuma esperança de sair dela e
endireitar-se novamente? Sente que esta tão longe daquilo que devia ser e
do que gostaria de ser, que não pode mais alcançá-lo? Você sente que
não tem mais esperança por causa de alguma situação que está
enfrentando, ou devido alguma complicação em que se envolveu, um pecado
que o domina, o qual não consegue vencer? Você já disse a si mesmo: “Que
adianta tentar outra vez? Já tentei tantas vezes antes, e sempre
fracassei; tentar outra vez só pode produzir o mesmo resultado. Minha
vida é uma confusão; perdi minha oportunidade e daí para frente devo me
contentar em fazer o melhor que posso na situação em que estou”. São
estes os seus sentimentos e pensamentos? Já está convencido que perdeu
sua oportunidade na vida, que o que passou passou, e que se você tivesse
outra oportunidade tudo seria diferente, todavia isso é impossível? É
essa a sua posição? Coitado! Quantos estão em tal situação? Como é
infeliz e sem esperança a vida da maioria dos homens e das mulheres!
Como é triste! Ora, a primeira palavra do evangelho para os que estão
nessa situação é que eles devem erguer suas cabeças, que nem tudo está
perdido, que ainda há esperança, ainda há esperança de um novo começo,
aqui e agora, neste momento, sem qualquer relação com algo imaginário e
pertencente a um futuro desconhecido; mas algo que se baseia num fato
que se passou há quase dois mil anos atrás, o qual ainda é tão poderoso
hoje como era então. Até mesmo o pródigo tem esperança. Há um ponto de
retorno no caminho mais tenebroso e irremediável. Há um novo começo
oferecido até mesmo aos publicanos e pecadores.
Contudo, quero
enfatizar em detalhes o que já mencionei de passagem: esta mensagem do
evangelho não é algo geral e vago como a mensagem do mundo, mas é algo que contém condições muito definidas.
E é aqui que vemos com maior clareza porque nosso Senhor proferiu essa
parábola em acréscimo às outras duas. Para que possamos tirar proveito
desse novo começo oferecido pelo evangelho, precisamos observar os
seguintes pontos. Ouçam amigos, permitam que eu enfatize a importância
de fazermos isso! Se vocês simplesmente ficarem sentados, ouvindo e
permitindo que o quadro brilhante do evangelho os emocione, voltarão
para casa exatamente como chegaram aqui. Todavia, se observarem cada
ponto com cuidado, e o colocarem em prática, voltarão para casa como
pessoas totalmente diferentes. Se estão ansiosos por tirarem proveito da
nova esperança e do novo começo oferecido pelo evangelho, então devem
seguir suas instruções e seus métodos. Pois bem, quais são eles?
O primeiro é que
devemos enfrentar nossa situação com franqueza e honestidade. É uma
coisa estar numa posição má e difícil, outra coisa completamente
diferente é enfrentá-la com sinceridade. Este filho pródigo estava numa
situação péssima por muito tempo antes de chegar ao ponto de realmente
compreender isso. Uma pessoa não cai subitamente na situação descrita
aqui. Aquilo aconteceu aos poucos, quase sem que ele percebesse. E mesmo
depois que aconteceu, ele levou algum tempo para percebê-lo. O processo
é tão sutil e tão insidioso que a pessoa mal percebe. Ela contempla seu
rosto no espelho todas as manhãs e não nota as mudanças que estão
acontecendo. Somente alguém que não a vê com freqüência pode notar os
efeitos com mais clareza. E muitas vezes, quando começamos a sentir
terrível realidade da nossa situação, deliberadamente evitamos pensar a
respeito. Colocamos tais pensamentos de lado e nos ocupamos com outras
coisas comentando: “Que adianta pensar a respeito disso? Essa é a
situação, acabou!” Ora, o primeiro passo no caminho da volta, é
enfrentar a situação com honestidade e franqueza. Lemos que esse jovem
“caiu em si”. Foi exatamente o que ele fez! Ele enfrentou a situação, e o
fez com sinceridade. Compreendeu que seus problemas eram resultado
exclusivo de sua próprias ações, que ele fora um tolo, que não devia ter
abandonado a casa de seu pai, e certamente não devia tê-lo tratado da
maneira que fizera. Ele olhou para si mesmo e mal conseguiu acreditar no
que viu! Olhou para os porcos e as bolotas à sua volta. Encarou a
situação de frente!
Meu amigo, você já
fez isso? Já olhou para si mesmo? Já pensou se todas as suas ações
durante o ano que passou fossem colocadas no papel? E se tivesse mantido
um registro de todos os seus pensamentos e desejos, suas ambições e
imaginações? Você permitiria que isso fosse publicado sob seu nome? O
que você é hoje em comparação com o que foi no passado? Olhe para suas
mãos — estão limpas? E os seus lábios — são puros? Olhe para seus pés —
onde eles pisaram, que caminho percorreram? Olhe para si mesmo! É
realmente você? E então olhe à sua volta, para a sua posição e os seu
ambiente. Não fuja! Seja honesto! Do que você está se alimentando?
Comida ou bolotas lançadas aos porcos? Em que você tem gastado seu
dinheiro? Para que fins você usou dinheiro que talvez devesse ser usado
para alimentar sua esposa e filhos, ou vesti-los? Do que você tem se
alimentado? Olhe! É alimento próprio para ser humano? Avalie o que você
gosta. Enfrente-o com calma. É algo digno de uma criatura criada por
Deus, com inteligência e sabedoria? É coisa que pelo menos honra o ser
humano — quanto mais a Deus? É alimento de porcos, ou é próprio para ser
consumido por um seu humano? Não basta que você apenas lamente a sua
sorte ou se sinta miserável. Como acabou em tal estado ou situação? Olhe
para os porcos e as bolotas, e compreenda que é tudo devido você ter
abandonado a casa do seu pai, agindo deliberadamente contra os ditames
da sua própria consciência, deliberadamente zombando da religião e de
todos os seus mandamentos e princípios; tudo é resultado exclusivo de
suas próprias decisões. A situação em que se encontra hoje é
conseqüência de suas próprias escolhas, e de sua próprias ações.
Enfrente isso e admita-o. Esse é o primeiro passo essencial no caminho
da volta.
O passo seguinte é
compreender que há somente Um a que você pode recorrer, e somente uma
coisa a fazer. Não preciso elaborar esse ponto em detalhes, no que se
refere ao filho pródigo, pois é bastante claro. “Ninguém lhe dava nada”.
Tentara de tudo, esgotara todos os seus recursos e seus esforços, bem
como os esforços de outras pessoas. Tudo acabara para ele e ninguém
podia ajudá-lo — exceto um. O pai! A última, a única esperança. O
evangelho sempre insiste que cheguemos a esse ponto. Enquanto lhe resta
um centavo que seja, o evangelho não o ajudara. Enquanto tiver amigos,
ou entidades às quais pode recorrer em busca de ajuda, crendo que lhe
darão assistência, o evangelho nada tem a lhe dar. Naturalmente,
enquanto o homem achar que pode se manter recorrendo a qualquer um
desses outros métodos, ele continuará tentando fazer isso. E em nossa
estimativa, o mundo ainda está longe da falência. Ele ainda crê em seus
métodos e em suas próprias idéias. E de que forma patética nos agarramos
a ele! Confiamos em nossa força de vontade e em nosso próprio esforço.
Recorremos aos “anos novos” do nosso calendário com se ele pudessem
fazer qualquer diferença em nossa situação! Buscamos a ajuda de amigos e
companheiros, de parentes e queridos. Ah, vocês estão familiarizados
com o processo, não só em seus esforços de acertar a sua própria vida,
mas também nos esforços de endireitar a vida de outros a respeito de
quem estão preocupados ou ansiosos. E assim continuamos até termos
esgotados os recursos. Como o pródigo, continuamos até nos tornarmos
frenéticos, e até ao ponto em que “ninguém nos dá nada” Somente então é
que nos voltamos para Deus. Oh que insensatez! Permitam que eu estoure
essa falácia aqui, e agora. Enfrentem-na com franqueza. Compreendam que
todos os seus reforços vão falhar, como sempre falharam até aqui.
Entendam que a melhora será meramente transitória e temporária. Parem de
se enganar a si mesmos. Compreendam como é desesperada a sua situação. E
compreendam que existe somente um poder que pode colocar suas vidas no
caminho certo — o Poder do Deus Todo-poderoso. Você podem continuar
confiando em si mesmos e nos outros, e se esforçando ao máximo. Mas
daqui a um ano a sua situação não só será a mesma, e sim muito pior.
Somente Deus pode salvá-los.
No entanto, ao se
voltarem para Deus, vocês precisam compreender também que nada podem
pleitear diante dEle, exceto a Sua misericórdia e compaixão. Quando o
pródigo abandonou o lar, sua exigência foi: “Dá-me!” “Ele exigiu seus
direitos. Estava cheio de auto-confiança e até mesmo presunção, sentindo
que não estava recebendo tudo a que tinha direito. “Dá-me”! Mas quando
voltou para casa, o seu vocabulário mudou e o que ele diz agora é :
“Faz-me”. Anteriormente ele sentira que era “alguém” e que estava na
posição de exigir direitos inerentes e dignos de uma pessoa como ele.
Agora ele sente-se reduzido a nada e ninguém, e compreende que sua maior
necessidade é que algo seja feito de sua vida. “Faz-me!”. Amigo, se
você acha que tem qualquer direito de exigir perdão de Deus, posso lhe
assegurar que está perdido e condenado. Se sente que Deus tem o dever e a
obrigação de perdoá-lo, você certamente não será perdoado. Se sente que
Deus é severo e que está contra você, então é culpado do maior de todos
os pecados. Se ainda sente que é “alguém” e que tem direito de dizer
“dá-me”, você nada receberá além de miséria e contónua desolação.
Todavia, se compreender que pecou contra Deus e O indignou, se sente que
não passa de um verme, ou menos que isso, indigno até de ser
considerado um ser homem — quanto mais indigno de Deus! — se sente que
nada é, em vista da forma como se afastou dEle e Lhe voltou as costas,
ingnorando-O e zombando dEle, se se lançar diante dEle e da sua
misericórdia implorando-Lhe que na sua infinita bondade e amor, Ele faça
algo da sua vida, então tudo será diferente. Nunca foi a vontade de
Deus que você acabasse na situação em que esta. Foi contra a vontade
dEle que você se afastou. A decisão foi toda sua. Diga-lhe isso, e
confesse também que o que mais o preocupa e aflige não é apenas a
miséria que trouxe à sua própria vida, porém o fato de ter desobedecido a
Ele, insultando-O e ofendendo-O.
Então, tendo
compreendido tudo isso, ponha-o em prática! Abandone a terra distante.
Sua presença neste culto significa que você se levantou dentre os porcos
e as bolotas. Mas afasta-te dessa terra longínqua. Faça-o! Volte-se
para Deus, busque a reconciliação com Ele! Tome uma decisão. Entregue-se
a Ele! Ouse confiar nEle! Como teria sido ridículo se o filho pródigo
tivesse limitado a pensar aquilo tudo, sem colocá-lo em prática! Teria
continuado na terra longínqua. Mas ele agiu. Pôs em pratica a sua
decisão. Cumpriu sua resolução. Voltou para o pai e entregou-se à sua
misericórdia e compaixão, e você precisa fazer o mesmo, da forma como já
indiquei.
E se fizer isso, descobrirá que no seu caso, como no caso do filho pródigo, haverá um novo começo para a sua vida, um novo princípio firme e sólido.
O impossível acontecerá, e você ficará assombrado e maravilhado com o
que descobrirá. Não vou me deter na alegria e no gozo e na emoção disso
tudo hoje, para que possa enfatizar a realidade desse novo começo que o
evangelho nos dá. Não é algo etéreo ou trivial. Não é uma simples
questão de sentimentos ou emoções. Não é uma anestesia ou um sedativo
que amortece nossos sentidos, levando-nos a sonhar com um mundo
brilhante e feliz. É real, é verdadeiro. Em Jesus Cristo, um novo
começo, real e genuíno, é possível. E é possível somente através dele! A
grandeza do amor do pai nesta parábola não é expressada tanto em sua
atitude como no que ele fez. Amor não é um mero sentimento vago, ou uma
disposição geral. O amor é algo ativo! É a atividade mais dinâmica do
mundo, e transforma tudo. É por isso que também aqui somente o amor de
Deus pode realmente nos dar um novo começo, uma nova oportunidade. O
amor de Deus não se limita a falar sobre um novo começo: “Porque Deus
amou o mundo de tal maneira que deu...”. O pai fez certas
coisas pelo seu filho pródigo; e somente Deus pode fazer por nós e para
nós aquilo que nos levantará outra vez. Observemos como Ele o faz. Oh, a
maravilha do amor de Deus, que realmente faz novas todas as coisas, o
único que realmente pode fazer isso!
Observem como o
pai oblitera o passado. Ele vai ao encontro do filho como se nada
tivesse acontecido, ele o abraça e beija como se sempre tivesse sido
zeloso e exemplar em toda sua conduta! E com que rapidez ordena aos
servos que removam os farrapos e andrajos da terra longínqua, e com eles
todos os traços e vestígios do seu passado pecaminoso. Com todas essas
ações ele apaga o passado de uma forma que mais ninguém poderia fazer.
Somente ele podia perdoar de fato, somente ele podia apagar o que o
filho fizera contra ele e contra a família; e ele o fez. Removeu todos
os traços do passado. E essa sempre é a primeira coisa que acontece
quando um pecador se volta para Deus da forma como estamos descrevendo.
Voltamo-nos para Ele esperando tão pouco quanto o pródigo, cuja
expectativa era que fosse feito um servo. Quão infinitamente Deus
transcende todas as nossas maiores expectativas quando Ele começa a
tratar conosco! Tudo que pedimos é alguma forma de começara outra vez.
Deus nos maravilha e surpreende com Sua primeira ação — obliterando todo
o nosso passado! E isso, enfim, é o que almejamos acima de tudo. Como
podemos ser felizes e livres em vista do nosso passado? Mesmo que não
cometamos mais certas ações ou um certo pecado, o passado está presente e
sempre temos diante de nós o que fizemos. Esse é o problema. Quem pode
nos libertar do nosso passado? Quem pode apagar do livro da nossa vida
aquilo que já fizemos? Há somente Um! E Ele pode fazê-lo! O mundo tenta
me persuadir que não importa, que posso voltar as costas ao passado e
esquecê-lo. Mas eu não posso esquecer — ele sempre me volta à lembrança.
E me lança em miséria e desespero. Posso tentar de tudo, porém meu
passado permanece um fato sólido, terrível, medonho. Há alguma forma de
me livrar dele? Algum modo de apagá-lo? Há somente um que pode removê-lo
dos meus ombros. Eu só posso ter certeza que meus farrapos e andrajos
se foram quando os vejo na Pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que
os tomou sobre Si e Se fez maldição em meu lugar. O Pai mandou que Ele
tirasse de sobre mim os meus farrapos, e Ele o fez. Ele levou minha
iniqüidade, e Se vestiu e cobriu com meu pecado. Ele o tirou, lançando-o
no mar do esquecimento de Deus. E
quando eu compreendo e creio que Deus em Cristo não só perdoou meu
passado, mas também o esqueceu, quem sou eu para procurar por ele e
tentar encontrá-lo? Minha única consolação, quando considero o passado, é
lembrar que Deus o apagou. Ninguém mais podia fazer isso. Mas Ele o
fez. E este é o primeiro passo essencial para um novo começo. O passado
precisa ser apagado; e ele é apagado em Cristo e em Sua morte
expiatória.
Todavia, para ter
um começo realmente novo, mais uma coisa é necessária. Não basta que
todos os traços do meu passado sejam removidos. Preciso de algo no
presente. Preciso ser vestido, necessito de algo que me cubra. Preciso
de confiança para começar outra vez e para enfrentar a vida, as pessoas e
os problemas que fazem parte dela. Embora o pai tenha corrido ao
encontro do filho e o beijado, isso por si só não lhe teria dado
segurança. Ele saberia que todos veriam os andrajos e a lama. Por essa
razão, o pai não se limitou a isso. Ele vestiu o rapaz com roupas dignas
de um filho, com todas as provas externas dessa posição. Anunciou a
todos que seu filho retornou, e o vestiu de forma que o rapaz não se
sentisse envergonhado diante dos outros. Ninguém mais além do pai podia
fazer isso. Outros podiam ter ajudado o rapaz, mas somente o pai podia
restaurá-lo à sua posição de filho e prover tudo o que estava associado a
ela.
Exatamente o mesmo
acontece quando nos voltamos para Deus. Ele não só nos perdoa e apaga
nosso passado, mas também nos torna filhos. Ele nos dá uma nova vida e
novo poder. E Ele lhe dará tal certeza do Seu amor, meu amigo, que você
poderá olhar para os outros sem qualquer sentimento de vergonha. Ele o
vestirá com o manto da justiça de Cristo, e não só lhe dirá que o vê
como filho, mas na verdade fará com que sinta que realmente o é. Quando
olhar para si mesmo, você nem sequer se reconhecerá! Olhará para o seu
corpo e verá esse manto de valor inestimável, olhará para os seus pés e
os verá calçados de sandálias novas, olhará para sua mão e verá o anel, o
selo do amor de Deus. E quando fizer isso, sentirá que pode enfrentar o
mundo todo de cabeça erguida, sim, e poderá enfrentar o diabo e todos
os poderes que o enganaram no passado e que arruinaram a sua vida. Sem
essa posição e confiança, um novo começo não passa de um produto da
imaginação. P mundo tenta limpar suas velhas vestes, buscando dar-lhes
uma aparência respeitável. Somente Deus, em Cristo pode nos vestir com
um manto novo, e realmente nos tornar fortes. Que o mundo tente apontar o
dedo para nós, querendo trazer à tona o nosso passado! Que tente lançar
seus piores estrategemas contra nós! Basta que olhemos para o manto, as
sandálias e o anel, e saberemos que tudo está bem.
E se você ainda
requer uma prova clara da realidade de tudo isso, ela pode ser
encontrada no fato que até mesmo o mundo tem de reconhecer que é
verdade. Ouça as palavras do servo, falando com o irmão mais velho. O
que ele diz? “Um homem de aparência estranha, em andrajos, apareceu aqui
hoje?” Não! “Veio o teu irmão”. Como ele soube que era o irmão? Ah, ele
vira as ações do pai e ouvira suas palavras! Ele jamais teria
reconhecido o filho, porém o pai o reconheceu, mesmo à distancia. O pai o
reconheceu! E Deus reconhece você, e quando você se volta para Ele e
permite que Ele o vista, todos ficarão sabendo. Até mesmo o irmão mais
velho ficou sabendo. Era a última coisa que ele queria saber, mas os
cânticos e os sons de júbilo e alegria não deixavam dúvidas quanto à
conclusão inevitável. Ele estava por demais aviltado para dizer “meu
irmão”, no entanto, até mesmo ele teve que dizer: “Este teu filho”. Não
passou prometer que todos o amarão, que falarão bem a seu respeito se
entregar sua vida a Deus em Cristo. Muitos certamente o odiarão, e o
perseguirão zombando de você e fazer muitas outras coisas contra você,
mas, ao fazerem isso, estarão na verdade testemunhando que eles também
perceberam que você é uma nova pessoa, que sua vida foi renovada e
recebeu a oportunidade de um novo começo.
O que mais você requer?
Aqui está a
oportunidade para um começo realmente novo. É o único meio. O próprio
Deus o tornou possível, enviando Seu Filho unigênito a este mundo, para
viver, morrer, e ressuscitar. Não importa o que você tenha sido no
passado, nem o que é no momento. Basta que se volte para Seus,
confessandp seu pecado contra Ele, lançando-se sobre Sua misericórdia em
Cristo Jesus, reconhecendo que somente Ele pode salvar e guardar você, e
descobrirá que.
O passado será esquecidoGozo dado no presente,Graça futura prometida —E uma coroa de glória no céu.
Venha! Amém.
* Sermão pregado em 06 de janeiro de 1935.
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