O Que a Bíblia Ensina Sobre a Morte e o Julgamento?
Nascemos, vivemos e morremos. E depois? Esta
pergunta tem desafiado a humanidade através da História do Mundo. Nosso
entendimento do que acontece após a morte influenciará muito a maneira pela
qual vivemos. Para aqueles que procuram agradar a Deus, é importante saber o
que ele revelou sobre este assunto. Só por um estudo da Bíblia podemos evitar
os perigosos erros da sabedoria humana.
O que é a morte? O que acontecerá depois que morrermos? A Bíblia responde
a essas perguntas.
O que é a morte?
A morte é uma separação. Podemos
entender este fato claramente, considerando como a Bíblia descreve a morte
espiritual. Comecemos no livro de Gênesis, onde encontramos pela primeira vez o
conceito de morte.
Quando Deus disse a Adão que não
comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele revelou que a
consequência da desobediência seria a morte no mesmo dia do pecado (Gênesis
2:17). Com certeza, Deus cumpriu sua promessa sobre a consequência do pecado,
porque ele sempre fala a verdade e nunca quebra uma promessa. Por causa do
pecado do casal original, Deus expulsou-os do Jardim do Éden (Gênesis 3:23-24).
Mesmo tendo Adão vivido, em seu corpo físico, por 930 anos, ele e sua esposa
morreram no dia de seu pecado, no sentido de que eles foram separados de Deus.
A morte espiritual é a separação de Deus.
O caso de Adão e Eva nos ajuda a
entender que é possível estar fisicamente vivo, enquanto morto espiritualmente
(veja Efésios 2:1-6, por exemplo). A razão para esta morte espiritual esta
separação de Deus é sempre a mesma. Separamo-nos de Deus pelo nosso próprio
pecado (Isaías 59:1-2).
A morte física também é uma separação. Quando o corpo está separado do
espírito, ele está morto (Tiago 2:26). Eclesiastes 12:7 nos diz que isto é o
que acontece no fim da vida física: “O pó volte à terra, como o era,
e o espírito volte a Deus, que o deu”.
O que acontecerá após a minha morte?
É claro que o espírito voltará a Deus,
mas o que ele fará com meu espírito? Mesmo que a Bíblia possa não satisfazer
toda a nossa curiosidade sobre o que acontece depois da morte, ela é clara ao
apresentar diversos fatos vitais:
Deus confortará o fiel e mandará o
ímpio para um lugar de tormento (Lucas 16:25).
Deus julgará cada pessoa (Hebreus
9:27). Este julgamento será de acordo com a palavra que Deus revelou através de
seu Filho (João 12:48). Ele julgará as coisas que fizemos em corpo (2 Coríntios
5:10). Passagens como Mateus 25:31-46 e 2 Tessalonicenses 1:7-12 mostram
claramente que haverá uma eterna separação (morte espiritual) entre os justos
(obedientes) e os injustos (desobedientes).
Podemos concluir, então, que a morte
eterna não é o fim da existência, mas uma eterna separação de Deus. É óbvio no
caso do homem rico, porém desobediente, em Lucas 16 que uma pessoa ainda estará
consciente, mas que o injusto nunca poderá atravessar a separação para estar na
presença de Deus.
Aplicações: Respondendo às doutrinas humanas
Infelizmente, há muitas doutrinas
conflitantes sobre a morte e a eternidade. Consideremos, brevemente, quatro
exemplos de doutrinas humanas que contradizem o ensinamento da Bíblia.
Doutrina humana: A morte é o fim da existência
As pessoas que não acreditam na
existência de Deus, obviamente, negam a ideia de vida após a morte. Outros, mesmo
entre aqueles que se proclamam seguidores de Jesus, ensinam que os injustos
deixarão de existir, quando morrerem. Em contraste, Jesus claramente ensinou
que a existência não cessa com a morte (Mateus 22:31-32; Lucas 16:19-31). O
problema fundamental nesta doutrina humana que diz que a existência cessa com a
morte, é o erro de não entender que a morte é uma separação, e não o fim da
existência da pessoa (veja Tiago 2:26). Algumas igrejas, seguindo doutrinas de
homens, negam a existência do inferno, mas a Bíblia mostra que todos serão
julgados e separados, os justos para a vida eterna e os ímpios para o castigo
eternamente, separados de Deus para sempre (João 5:28-29; Mateus 25:41,46).
Doutrina humana: A reencarnação
Muitas pessoas estão fascinadas pela ideia
da reencarnação, incluindo-se aquelas que seguem religiões orientais, como o
hinduísmo, e outras que aceitaram a filosofia da “Nova Era” ou os ensinamentos
do Espiritismo. A doutrina da reencarnação é que nossa alma voltará,
possivelmente centenas de vezes, para viver novamente e para ser aperfeiçoada
em consecutivas vidas. A Bíblia não diz nada para provar esta ideia. Em
contraste, a Bíblia ensina que morreremos só uma vez. Hebreus 9:27-28
diz: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez,
vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez
para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado,
aos que o aguardam para a salvação.” Pense no significado desta
afirmação. Se uma pessoa precisa morrer muitas vezes, qual é o valor do
sacrifício de Jesus? Teria ele também que morrer muitas vezes? Esta passagem
mostra que ele morreu uma vez para pagar o preço de nossos pecados. 2 Coríntios
5:10 afirma que cada pessoa será julgada “segundo o bem ou o mal que
tiver feito por meio do corpo”. Neste versículo, Paulo não fala de
corpos, mas de um corpo só. O meu espírito não voltará para ser aperfeiçoado em
outros corpos. Quando morremos, o nosso espírito volta para Deus. Note, também,
que a ideia de que nossas almas são aperfeiçoadas através da reencarnação é
absolutamente oposta à doutrina Bíblica de que somos salvos pela graça de Deus
(Efésios 2:8-9).
Doutrina humana: O purgatório
A doutrina do purgatório foi propagada
pelo catolicismo, e sugere que há uma oportunidade depois da morte para sofrer
por causa de certos pecados antes de entrar no céu. Esta doutrina diminui o
valor do sacrifício de Cristo, que deu a seus servos o dom gratuito da
salvação. Não podemos merecer nossa passagem para o céu, nem antes nem depois
da morte. Quando a Bíblia fala da situação dos mortos, ela diz que é impossível
ao ímpio escapar dos tormentos para entrar no conforto dos fiéis (Lucas
16:25-26). A doutrina do purgatório, simplesmente, não é encontrada na Bíblia.
Doutrina humana: Comunicação com os mortos
A prática do espiritismo e de algumas
outras religiões, ao tentar comunicar-se com os mortos, é absolutamente oposta
ao ensinamento da Bíblia. Quando o homem rico de Lucas 16 pediu que um
mensageiro dos mortos fosse enviado para ensinar sua família, Abraão disse que
isso não seria permitido, e que nem era necessário (Lucas 16:27-31). No Velho
Testamento, Deus condenou, como abominações, esses esforços para consultar os
mortos (Deuteronômio 18:9-12). A consulta aos mortos é ligada à idolatria e à
feitiçaria, coisas que são sempre condenadas, tanto no Velho como no Novo
Testamento. É, absolutamente e sempre, errado tentar consultar os mortos.
Conclusão: O que faremos?
O entendimento correto do ensinamento
Bíblico sobre a morte tem aplicação prática em nossas vidas. Eis duas sugestões
específicas sobre as aplicações que devemos fazer:
(1) Devemos resistir
às doutrinas e práticas que não são baseadas na Bíblia, incluindo:
- A ideia de que a existência termina
com a morte
- As tentativas de comunicar com os mortos
- A doutrina do purgatório
- A doutrina da reencarnação
(2) Devemos viver de
acordo com os ensinamentos da Bíblia, de modo que estejamos prontos, quando
encontrarmos Jesus (Mateus 24:42-44; 2 Pedro 3:10-13).
O Lucro da Morte
A epístola de Paulo aos santos em Filipos é considerada a mais
alegre e animadora das suas cartas, fato que se torna especialmente
interessante ao perceber que Paulo estava preso quando a escreveu. Ele estava
aguardando julgamento pelo governo, e corria o risco real de ser condenado à
morte por ter pregado o evangelho de Jesus. A capacidade deste apóstolo de se
sentir alegre diante desta circunstância nos desafia a avaliar nossa própria
perspectiva sobre a vida e a morte.
Depois de comentar sobre sua prisão e a esperança de um julgamento
favorável, ele disse uma coisa surpreendente: “Porquanto,
para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21). É natural procurar
preservar e prolongar a vida, e fazer de tudo para afastar a morte. Paulo,
porém, considerava a morte um avanço desejável. O que aprendemos da atitude
deste apóstolo sobre a perspectiva do seguidor de Cristo referente à morte?
1) A morte física traz lucro! O ensinamento bíblico inclui uma
afirmação constante e confiante da vida após a morte para as pessoas salvas
pela graça de Deus por meio do sacrifício de Jesus. Paulo escreveu: “mas o dom gratuito de Deus é a
vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23). Pedro reforçou este
entendimento: “Bendito o
Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia,
nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo
dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível,
reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus,
mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1 Pedro 1:3-5).
2) Diante desta expectativa, o sofrimento da vida terrestre é
passageiro. Pedro falou de sofrimento “por
breve tempo” (1 Pedro 1:6) “durante o tempo
da vossa peregrinação” (1
Pedro 1:17) e descreveu os cristãos como “peregrinos
e forasteiros” (1 Pedro
2:11).
3) Há motivo para viver aqui. Mesmo sabendo destes fatos, Paulo
viu motivos para permanecer mais um tempo nesta vida. Ele vivia para servir a
Cristo e aos homens. Continuaria glorificando ao Senhor na eternidade, mas
queria ficar para poder servir aos outros aqui: “E, convencido disto, estou
certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e
gozo da fé, a fim de que aumente, quanto a mim, o motivo de vos gloriardes em
Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco” (Filipenses 1:25-26).
4) Suicídio não é opção aceitável. Paulo até desejava a morte, mas
não falou nada de agir para precipitar a sua saída deste mundo. Jó sofreu tanto
que chegou a pensar que teria sido melhor se não tivesse nascido (Jó 3:1-3),
mas este homem fiel não agiu para tirar sua própria vida. Enquanto Deus até
elogia pessoas que sacrificam suas vidas por boas causas, nenhuma passagem
bíblica autoriza o suicídio como solução para o sofrimento desta vida.
5) A confiança do cristão da vida eterna o capacita para suportar
aflições e perseguições. Jesus é o exemplo perfeito desta perspectiva: “olhando firmemente para o Autor
e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta,
suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do
trono de Deus” (Hebreus
12:2). Jesus ofereceu conforto aos perseguidos quando disse:“Não temais
os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode
fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mateus 10:28).
A perspectiva esperançosa do cristão alivia uma parte do
sofrimento em relação às pessoas que morrem em Cristo. Sentimos a falta dos
fieis falecidos, mas não nos preocupamos com o destino deles. Paulo comparou a
morte com o sono porque acreditava na vida eterna: “Não queremos,
porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos
entristecerdes como os demais, que não têm esperança” (1 Tessalonicenses 4:13).
Como Paulo Encarou a Morte
O apóstolo Paulo, um judeu convertido a Cristo e escolhido para pregar aos gentios em dois continentes, se tornou um dos homens mais influentes entre os seguidores de Jesus. Dos 27 livros do Novo Testamento, Paulo escreveu 13! Destas 13 epístolas, as últimas sete foram escritas enquanto ele vivia com a realidade de que poderia morrer logo.
No final da sua terceira viagem missionária, Paulo foi preso em Jerusalém. Alguns judeus queriam matá-lo, e ele continuou durante mais de quatro anos encarando a possibilidade de ser condenado à morte, talvez pelo imperador mau Nero. Durante esse tempo, Paulo escreveu quatro cartas: Efésios, Colossenses, Filemom e Filipenses. Ele disse aos cristãos de Filipos: “Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:19-21).
Embora a Bíblia não relate todos os detalhes, tudo indica que Paulo foi, de fato, posto em liberdade para fazer mais algumas viagens missionárias. Ainda durante o reinado de Nero (um dos imperadores que perseguia os cristãos), ele foi preso novamente. Durante esta prisão ele escreveu suas últimas cartas, duas para Timóteo e uma para Tito. Nestas epístolas o tom do apóstolo foi diferente. Ele comentou sobre a morte iminente e certa: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado” (2 Timóteo 4:6).
É normal para qualquer pessoa sentir medo quando encara a morte, e Paulo também o sentia. Mas a preocupação de Paulo não foi medo de morrer, ou medo do que aconteceria com ele após a morte. Para este servo do Senhor, a morte seria um alívio bem-vindo e marcaria o início da sua vida celestial na presença de Jesus: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.... O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (2 Timóteo 4:8,18).
Paulo não temia sua morte; ele temia pelas pessoas que ainda permaneceriam aqui na terra. Considere alguns exemplos de coisas que Paulo temia:
Desvios da fé por parte de alguns irmãos (1 Timóteo 1:3-4,19). Mesmo pessoas que começam bem podem enfraquecer na sua determinação de resistir ao pecado.
O efeito de falsos mestres (1 Timóteo 4:1-5; 6:3-5). Um fator real em alguns desses desvios é a influência de pessoas que distorcem o evangelho e enganam os outros. Paulo viu a necessidade de calar as bocas de falsos mestres (Tito 1:10-14).
A covardia de servos do Senhor (2 Timóteo 1:6-8). Se ninguém tiver coragem de se opor aos falsos mestres, sua influência seria pior ainda!
Contendas entre irmãos (2 Timóteo 2:14,23). Os perigos nem sempre vem de fora. Conflitos dentro da igreja do Senhor são devastadores.
O desrespeito para com Deus e a perversidade dos desobedientes (2 Timóteo 3:1-5,13).A conduta perversa de algumas pessoas mostra sua falta total de respeito do seu Criador.
A falta de interesse na palavra (2 Timóteo 4:1-4). Talvez um dos receios maiores de Paulo fosse a simples negligência da verdade por pessoas que dariam preferência a mensagens mais agradáveis. Muitos ainda sofrem de coceira nos ouvidos!
Uma vez, Paulo comentou com os pastores da igreja de Éfeso: “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” (Atos 20:29). Paulo não temia a morte, mas temia as ameaças que os cristãos ainda teriam de encarar.
O apóstolo Paulo, um judeu convertido a Cristo e escolhido para pregar aos gentios em dois continentes, se tornou um dos homens mais influentes entre os seguidores de Jesus. Dos 27 livros do Novo Testamento, Paulo escreveu 13! Destas 13 epístolas, as últimas sete foram escritas enquanto ele vivia com a realidade de que poderia morrer logo.
No final da sua terceira viagem missionária, Paulo foi preso em Jerusalém. Alguns judeus queriam matá-lo, e ele continuou durante mais de quatro anos encarando a possibilidade de ser condenado à morte, talvez pelo imperador mau Nero. Durante esse tempo, Paulo escreveu quatro cartas: Efésios, Colossenses, Filemom e Filipenses. Ele disse aos cristãos de Filipos: “Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:19-21).
Embora a Bíblia não relate todos os detalhes, tudo indica que Paulo foi, de fato, posto em liberdade para fazer mais algumas viagens missionárias. Ainda durante o reinado de Nero (um dos imperadores que perseguia os cristãos), ele foi preso novamente. Durante esta prisão ele escreveu suas últimas cartas, duas para Timóteo e uma para Tito. Nestas epístolas o tom do apóstolo foi diferente. Ele comentou sobre a morte iminente e certa: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado” (2 Timóteo 4:6).
É normal para qualquer pessoa sentir medo quando encara a morte, e Paulo também o sentia. Mas a preocupação de Paulo não foi medo de morrer, ou medo do que aconteceria com ele após a morte. Para este servo do Senhor, a morte seria um alívio bem-vindo e marcaria o início da sua vida celestial na presença de Jesus: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.... O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (2 Timóteo 4:8,18).
Paulo não temia sua morte; ele temia pelas pessoas que ainda permaneceriam aqui na terra. Considere alguns exemplos de coisas que Paulo temia:
Desvios da fé por parte de alguns irmãos (1 Timóteo 1:3-4,19). Mesmo pessoas que começam bem podem enfraquecer na sua determinação de resistir ao pecado.
O efeito de falsos mestres (1 Timóteo 4:1-5; 6:3-5). Um fator real em alguns desses desvios é a influência de pessoas que distorcem o evangelho e enganam os outros. Paulo viu a necessidade de calar as bocas de falsos mestres (Tito 1:10-14).
A covardia de servos do Senhor (2 Timóteo 1:6-8). Se ninguém tiver coragem de se opor aos falsos mestres, sua influência seria pior ainda!
Contendas entre irmãos (2 Timóteo 2:14,23). Os perigos nem sempre vem de fora. Conflitos dentro da igreja do Senhor são devastadores.
O desrespeito para com Deus e a perversidade dos desobedientes (2 Timóteo 3:1-5,13).A conduta perversa de algumas pessoas mostra sua falta total de respeito do seu Criador.
A falta de interesse na palavra (2 Timóteo 4:1-4). Talvez um dos receios maiores de Paulo fosse a simples negligência da verdade por pessoas que dariam preferência a mensagens mais agradáveis. Muitos ainda sofrem de coceira nos ouvidos!
Uma vez, Paulo comentou com os pastores da igreja de Éfeso: “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” (Atos 20:29). Paulo não temia a morte, mas temia as ameaças que os cristãos ainda teriam de encarar.
[Todas as citações bíblicas neste artigo vem do livro de Filipenses.]
Depois de sofrer todo tipo de
perseguição por causa da sua fé em Jesus, Paulo foi preso. Ele aguardava o
julgamento do seu caso, e irmãos em outros lugares oravam por ele. Quando
escreveu aos filipenses, Paulo expressou sua confiança que Deus responderia às
orações destes irmãos e que ele seria posto em liberdade: “Porque estou certo de que isto
mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me
redundará em libertação...” (1:19).
O que nos surpreende é o resto da
afirmação dele: “...agora,
será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte” (1:20). Paulo tinha confiança da
libertação, mas não sabia se ia viver ou morrer. Sua perspectiva sobre a morte
era bem diferente do entendimento da maioria das pessoas hoje. Paulo não
considerou a vida neste mundo a coisa mais importante. Certamente não faria nada
para tirar a própria vida, mas considerou a morte um livramento do sofrimento
que enfrentava aqui: “Porquanto,
para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (1:21). Se Paulo tivesse
direito de escolher sua libertação – uma escolha que lhe não cabia – e se ele
tivesse decidido por motivos egoístas, teria optado pela morte! Ele disse que
tinha “o desejo de partir e
estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (1:23).
Mas Paulo queria viver, não por ser
a melhor coisa para ele, mas por causa dos outros. Ele vivia para servir, para
honrar a Deus e para ajudar aqueles que procura-vam fazer a vontade de Deus: “Mas, por vossa causa, é mais
necessário per-manecer na carne. E, convencido disto, estou certo de que
ficarei e perma-necerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé” (1:24-25).
Paulo não
fugiu da sua responsabilidade de servir nesta vida, mas ele ansiava o descanso
eterno na presença de Deus. O que nós desejamos? A vida? A morte? Devemos
aprender que, vivendo ou morrendo, a coisa mais importante é a eternidade na
presença de Deus.
Quando Lázaro morreu, Jesus disse: “Nosso amigo Lázaro adormeceu,
mas vou para despertá-lo” (João
11:11). Eclesiastes 9:5 afirma: “Porque
os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem
tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento”.
Paulo confortou os discípulos com estas palavras: “Ora, ainda vos
declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à
vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem” (1 Tessalonicenses 4:15). Lidos
superficialmente, versículos como estes poderiam ser entendidos como defesa da
idéia da inconsciência dos mortos. Mas, antes de chegar a uma conclusão, vamos
examinar as evidências um pouco melhor.
Às vezes, a idéia de “dormir” ou
ser inconscientes olha para a morte do ponto-de-vista da vida terrestre.
Citações de Eclesiastes, por exemplo, são observações sobre a vida neste mundo.
A frase repetida no livro que destaca este fato é “debaixo do sol”. Veja
Eclesiastes 9:6 (logo após o versículo citado acima): “Amor, ódio e inveja para eles
já pereceram, para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz
debaixo do sol”. Os que já morreram não participam da nossa vida “debaixo do sol”, mas
isso não significa que o amor não existe mais para eles nas regiões celestiais,
nem que lhes serão negados a recompensa (cf. 2 Timóteo 4:6-8).
Em outras passagens, como as
citações de João 11 e 1 Tessalonicenses 4, a idéia de dormir é apresentada em
contraste com a noção de uma morte permanente. Os dois trechos tratam da
ressurreição (imediata, no caso de Lázaro, e na vinda do Senhor, em 1
Tessalonicenses). Descrever a morte como sono não é comentário sobre a
inconsciência dos mortos, e sim, sobre o estado temporário da morte.
Outras passagens mostram claramente
que os mortos continuam cientes. Jesus falou dos mortos conversando (Lucas
16:19-31). Quando o quinto selo foi aberto, as almas dos mortos clamaram ao
Senhor (Apocalipse 6:9-11). A promessa de Jesus ao ladrão arrependido não teria
nenhum valor se a morte fosse um estado de inconsciência. Jesus confortou o
homem com estas palavras: “Em
verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43).
Os fiéis aguardam o privilégio do
descanso preparado por Deus, e estarão cientes desta grande bênção.
O Que a Bíblia Diz?
O purgatório existe?
O purgatório, segundo a doutrina da Igreja Católica Romana, é o estado no qual os fiéis são purificados depois da morte, antes de entrar no céu. Desde que a nossa preocupação é com a doutrina bíblica, observamos que a palavra "purgatório" não se encontra nas Escrituras.
De onde vem, então, essa doutrina? Segundo o Catecismo Católico de John A. Hardon, S.J., a declaração formal da doutrina de purgatório foi feita em 1274, mais de 12 séculos depois da morte de Jesus! Uma vez que a doutrina se tornou oficial, foi necessário procurar algum apoio teológico. Hardon cita três trechos bíblicos para defender a idéia de purgatório. Vamos examinar cada citação:
1. 2 Macabeus 12:41-45. Esse trecho descreve os atos de Judas Macabeus depois de uma batalha contra Górgias. Judas e seus homens oraram pelo pecado dos mortos e mandaram que fosse oferecido um sacrifício por eles em Jerusalém. Há dois problemas com o uso desse trecho: (a) 2 Macabeus é um dos livros contidos na Bíblia Católica mas rejeitados na maioria de outras bíblias. (b) O pecado citado no trecho (veja 2 Macabeus 12:40) foi idolatria, considerado o motivo da morte deles. Para usar este trecho para apoiar a doutrina de purgatório seria necessário afirmar que esses homens que alegamente morreram por causa da idolatria não morreram na prática de pecado mortal, pois a Igreja Católica ensina que tais pessoas não teriam acesso ao purgatório.
2. Mateus 12:32 diz que a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada, nem neste mundo, nem no mundo que há de vir. Hardon conclui, sem prova nenhuma, que esse versículo sugere que outros pecados serão perdoados após a morte.
3. 1 Coríntios 3:13,15 fala de julgamento através de fogo. O fogo serve para provar o valor das obras de cada um. O trecho nada diz sobre um lugar de purificação após a morte.
A Bíblia claramente afirma que o julgamento vem depois da morte (Hebreus 9:27), no qual seremos julgados pelos atos feitos por meio do corpo (2 Coríntios 5:10). Jesus ensinou que é impossível ao ímpio escapar dos tormentos para entrar no conforto dos fiéis (Lucas 16:25-26).
Devemos nos preparar para o julgamento agora, pois a Bíblia não fala de segundas chances após a morte.
O Céu e o Inferno
O Céu: o lar é onde está o Pai
Naquele trecho maravilhosamente confortante em João 14:1-3, Jesus tenta acalmar a angústia de seus discípulos que o anúncio de que ele iria aonde eles não poderiam seguir havia causado (João 13:33-37). Suas advertências sobre traição os teriam mistificados e confundidos, até magoados. Eles compreendem pouco do que ele está falando, mas o que tem causado um estremecimento em suas almas é a notícia de que ele iria aonde eles não poderiam ir. A idéia da perda de sua presença os amedrontavam e os derrotavam.
Jesus garante aos discípulos que a sua partida não é um abandono, mas sim por consideração a eles- para que ele pudesse ir preparar um lugar para eles com o seu Pai. Eles estariam separados por um tempo, disse ele, para então estarem juntos para sempre.
Alguns pensam que Jesus está falando da igreja, da área de uma nova relação com Deus através da morte redentora do Filho (1 Timóteo 3:15; Hebreus 3:6). E a idéia de que o lugar que Jesus promete preparar para os seus discípulos começa nesta vida, não é sem mérito. No contexto desta mesma conversa Jesus mais tarde disse: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada" (João 14:23). Mas a morada com que Jesus consola os seus discípulos em 14:1-3 pareceria necessariamente incluir o transcendente e final. Como tem observado Leon Morris, "Muito atraente é a sugestão de Milligan e Moulton, que 'a casa do meu Pai' inclui a terra assim como o céu, de modo que onde quer que nos encontramos estamos naquela casa. Mas por este ponto de vista não é fácil entender porque Jesus deveria 'ir' a fim de nos preparar um lugar" (Evangelho de João, p. 638).
A questão sobre o céu que vem à tona nesta experiência de Jesus com seus discípulos é que não é tanto um mero lugar, quanto um relacionamento que tem alcançado na sua máxima intimidade e proximidade, um lugar com Deus e o seu Filho. Como se tem apropriadamente observado, "Não é no céu que encontramos Deus, mas em Deus que encontramos o céu". Não é nos nossos arredores que o céu se encontra mas em Deus. É verdade que João nas suas visões vê uma cidade com ruas de ouro, paredes de jaspe e portas de pérola (Apocalipse 21), mas aquela cidade representa muito mais a glória do povo redimido de Deus do que as circunstâncias em que eles deverão viver, e é afinal de contas apenas a figura da verdadeira coisa (veja Apocalipse 19:8, 2:2 e Hebreus 12:22-24).
É triste ver cristãos que pensam no céu simplesmente como um lugar maravilhoso onde não haverá mais sofrimento, mágoa ou morte. Tudo isso sobre o céu é verdadeiro, mas a estreitura do foco nos faz lembrar de uma noiva que se gaba sem parar da mobília magnífica do novo lar sem dizer nem uma palavra sobre o futuro marido. Aqueles que entre nós foram casados por algum tempo qualquer sabem que o lar é aonde está a amada, e apenas esse fato ilumina qualquer lugar com alegria. Nunca se foi o lugar, mas sim pessoas, que nos trazem contentamento e satisfação, e a última expressão dessa verdade é que paraíso é estar onde Deus e Cristo estão. Eles são totalmente suficientes para iluminar o lugar com glória (Apocalipse 21:23). Não é o objetivo de Deus que seu povo deveria conhecer o amor ilimitado de Cristo e ficar tomado de toda a plenitude de Deus? (Efésios 3:19). E poderia estar faltando qualquer coisa a esses que vivem na intimidade perfeita com aquele que é "corporalmente, toda a plenitude da Divindade" (Colossenses 2:9-10), e a "plenitude daquele que a tudo enche em todas as cousas" (Efésios 1:23)? Nós talvez deveríamos passar mais tempo aprendendo sobre Jesus e vivendo próximo a ele, do que contemplando todas as maravilhosas acomodações celestiais. Eu tenho a distinta impressão de que Deus não estará convidando pessoas totalmente desconhecidas para viverem com ele em sua casa. "Mas qual espécie de corpo iremos possuir?" pergunta um, e "iremos reconhecer um ao outro no céu?" indaga outro. Eu não estou condenando curiosidade, mas aqueles que estão seriamente preocupados com tais coisas têm falta de confiança no poder daquele "que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos" (Efésios 3:20). Por mim mesmo, estou inteiramente satisfeito em deixar os planos e acomodações nas mãos de Deus. Francamente, não estou tão certo de que iremos prestar qualquer atenção aonde é que estamos pela alegria de estarmos com nosso Pai e o Filho que nos trouxe a ele, sem mencionar todas aquelas pessoas maravilhosas que o têm amado da mesma maneira que nós.
O Inferno: o último vácuo
Sobre o inferno C. S. Lewis uma vez escreveu: "Não há nenhuma doutrina que eu removeria de mais bom grado do cristianismo do que isto, se eu tivesse o poder. Mas essa doutrina tem o pleno apoio das Escrituras, e sobretudo das próprias palavras do nosso Senhor."
Lewis não está sozinho no seu temor da verdadeira idéia do inferno. É um assunto que pode causar um calafrio de horror em qualquer coração. Mas a verdade é que o inferno não é um acréscimo arbitrário. Ele é essencial ao céu e à própria existência de um Deus justo.
Não pode haver um paraíso sem um inferno, não somente porque o evangelho fala de ambos, mas porque se não há um inferno todos os caminhos conduzem ao mesmo local. E se todos os caminhos conduzem ao mesmo local, não faz diferença qual caminho você toma, e bondade e maldade cessam de existir. A presença de um Deus justo num tal mundo seria inconcebível!
O inferno faz uma diferença infinita. A altura da montanha é medida pela profundidade do vale. É o inferno que faz o paraíso. A grandeza da salvação é vista em oposição ao horror da condenação. É exatamente o inferno que tememos, que fala de um Deus moral, que rege num mundo moral onde bondade e maldade diferenciam-se, ambos em caráter e em conseqüência. O céu e o inferno não podem ser separados. Como Lewis também uma vez observou, "Eu não tenho conhecido ninguém que houvesse completamente descrito sobre o Inferno e que tivesse também uma convicção viva e vivificante sobre o Céu". No evangelho de Cristo o conceito do inferno é inevitável.
A palavra grega traduzida por nossa palavra inferno é gehenna. Ela é derivada do Vale de Hinom ao sudoeste de Jerusalém, onde crianças eram sacrificadas nos fogos do deus Moloque durante o reino dividido (2 Crônicas 28:3; 33:6) e foi por essa razão profanado por Josias a fim de terminar o costume (2 Reis 23:20). Jeremias o chamou de Vale da Matança por causa dos cadáveres que em breve ali seriam amontoados pela arremetida babilônica (Jeremias 7:32; 19:6). O vale tornou-se uma metáfora para morte, corrupção e incêndio.
Há várias razões para acreditar na existência do inferno, mas nenhuma tão convincente como a que Jesus mesmo disse. Das onze vezes que gehenna aparece no Novo Testamento, todas, exceto uma, vêm da boca do Senhor (Tiago 3:6). É Jesus que em todo o Novo Testamento pinta a figura mais gráfica do julgamento dos condenados, advertindo aos seus ouvintes severamente de tal destino (Mateus 5:22,29; 10:28; 23:15,33; Marcos 9:45-48; Lucas 12:5). Ele pinta o inferno como uma fornalha de fogo eterno e um processo interminável de corrupção (Mateus 25:41; Marcos 9:48). São trevas enchidas de um choro angustiante, um lugar de castigo eterno (Mateus 8:12; 25:46).
Este fogo, estas trevas, devem ser subentendidos literalmente? Talvez não, pois o diabo e os seus anjos que não possuem corpos materiais deverão sofrer a mesma sorte. Mas não há qualquer consolo nisso. Linguagem figurada é usada quando palavras comuns falham. A realidade do inferno será muito pior do que as figuras sugerem. O inferno é o lugar onde Deus não está, e poucos de nós têm seriamente contemplado como seria a absoluta ausência de Deus.
O inferno, em última análise, não é algo que Deus tenha acrescentado ao destino dos incrédulos, mas sim a conseqüência natural das escolhas que eles têm feito. Há afinal somente duas espécies de pessoas: aquelas que dizem a Deus, faça-se a tua vontade, e aquelas a quem Deus diz, no final, faça-se a tua vontade. Todos os que irão para o inferno ali estarão porque escolheram contra a vontade e a misericórdia de Deus. E o que têm escolhido?
Eles têm escolhido afastar-se de Deus e de todas as suas qualidades. Isso significa que desde que Deus como Criador tem dado à vida o seu propósito e sentido, a vida no inferno será eternamente sem sentido e inútil. Será uma terra cinzenta e desesperada, destruída de esperança e sonhos.
E porque Deus é amor (1 João 4:8), o inferno será um lugar onde não haverá amor. Nele estará a miséria empilhada de todo o ódio, malícia, inveja e ciúmes que jamais houve. Não haverá nenhuma compaixão, nenhuma meiguice, nenhuma atenção, nenhuma preocupação desinteressada por outros; somente o choro ininterrupto de egoísmo.
E porque Deus é luz (1 João 1:5-6), o inferno será verdadeiramente um lugar de "trevas" -- ininterruptas e absolutas. Não trevas literais, físicas, mas as trevas da maldade, perversão e impiedade. O inferno será um lugar do qual toda a bondade terá sido expurgada. E lá não haverá, como aqui tem havido para os desobedientes e incrédulos, a luz refletida da bondade e justiça de outros. Serão trevas totais!
E é assim, que os que vão ao inferno terão recebido exatamente o que desejavam, que é ter posto Deus fora de suas vidas. Não haverão mais apelos divinos para mudar de rumo, não mais apelos para voltar à casa, somente o silêncio vazio de um mundo passado, negro e morto.
O Céu: o lar é onde está o Pai
Naquele trecho maravilhosamente confortante em João 14:1-3, Jesus tenta acalmar a angústia de seus discípulos que o anúncio de que ele iria aonde eles não poderiam seguir havia causado (João 13:33-37). Suas advertências sobre traição os teriam mistificados e confundidos, até magoados. Eles compreendem pouco do que ele está falando, mas o que tem causado um estremecimento em suas almas é a notícia de que ele iria aonde eles não poderiam ir. A idéia da perda de sua presença os amedrontavam e os derrotavam.
Jesus garante aos discípulos que a sua partida não é um abandono, mas sim por consideração a eles- para que ele pudesse ir preparar um lugar para eles com o seu Pai. Eles estariam separados por um tempo, disse ele, para então estarem juntos para sempre.
Alguns pensam que Jesus está falando da igreja, da área de uma nova relação com Deus através da morte redentora do Filho (1 Timóteo 3:15; Hebreus 3:6). E a idéia de que o lugar que Jesus promete preparar para os seus discípulos começa nesta vida, não é sem mérito. No contexto desta mesma conversa Jesus mais tarde disse: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada" (João 14:23). Mas a morada com que Jesus consola os seus discípulos em 14:1-3 pareceria necessariamente incluir o transcendente e final. Como tem observado Leon Morris, "Muito atraente é a sugestão de Milligan e Moulton, que 'a casa do meu Pai' inclui a terra assim como o céu, de modo que onde quer que nos encontramos estamos naquela casa. Mas por este ponto de vista não é fácil entender porque Jesus deveria 'ir' a fim de nos preparar um lugar" (Evangelho de João, p. 638).
A questão sobre o céu que vem à tona nesta experiência de Jesus com seus discípulos é que não é tanto um mero lugar, quanto um relacionamento que tem alcançado na sua máxima intimidade e proximidade, um lugar com Deus e o seu Filho. Como se tem apropriadamente observado, "Não é no céu que encontramos Deus, mas em Deus que encontramos o céu". Não é nos nossos arredores que o céu se encontra mas em Deus. É verdade que João nas suas visões vê uma cidade com ruas de ouro, paredes de jaspe e portas de pérola (Apocalipse 21), mas aquela cidade representa muito mais a glória do povo redimido de Deus do que as circunstâncias em que eles deverão viver, e é afinal de contas apenas a figura da verdadeira coisa (veja Apocalipse 19:8, 2:2 e Hebreus 12:22-24).
É triste ver cristãos que pensam no céu simplesmente como um lugar maravilhoso onde não haverá mais sofrimento, mágoa ou morte. Tudo isso sobre o céu é verdadeiro, mas a estreitura do foco nos faz lembrar de uma noiva que se gaba sem parar da mobília magnífica do novo lar sem dizer nem uma palavra sobre o futuro marido. Aqueles que entre nós foram casados por algum tempo qualquer sabem que o lar é aonde está a amada, e apenas esse fato ilumina qualquer lugar com alegria. Nunca se foi o lugar, mas sim pessoas, que nos trazem contentamento e satisfação, e a última expressão dessa verdade é que paraíso é estar onde Deus e Cristo estão. Eles são totalmente suficientes para iluminar o lugar com glória (Apocalipse 21:23). Não é o objetivo de Deus que seu povo deveria conhecer o amor ilimitado de Cristo e ficar tomado de toda a plenitude de Deus? (Efésios 3:19). E poderia estar faltando qualquer coisa a esses que vivem na intimidade perfeita com aquele que é "corporalmente, toda a plenitude da Divindade" (Colossenses 2:9-10), e a "plenitude daquele que a tudo enche em todas as cousas" (Efésios 1:23)? Nós talvez deveríamos passar mais tempo aprendendo sobre Jesus e vivendo próximo a ele, do que contemplando todas as maravilhosas acomodações celestiais. Eu tenho a distinta impressão de que Deus não estará convidando pessoas totalmente desconhecidas para viverem com ele em sua casa. "Mas qual espécie de corpo iremos possuir?" pergunta um, e "iremos reconhecer um ao outro no céu?" indaga outro. Eu não estou condenando curiosidade, mas aqueles que estão seriamente preocupados com tais coisas têm falta de confiança no poder daquele "que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos" (Efésios 3:20). Por mim mesmo, estou inteiramente satisfeito em deixar os planos e acomodações nas mãos de Deus. Francamente, não estou tão certo de que iremos prestar qualquer atenção aonde é que estamos pela alegria de estarmos com nosso Pai e o Filho que nos trouxe a ele, sem mencionar todas aquelas pessoas maravilhosas que o têm amado da mesma maneira que nós.
O Inferno: o último vácuo
Sobre o inferno C. S. Lewis uma vez escreveu: "Não há nenhuma doutrina que eu removeria de mais bom grado do cristianismo do que isto, se eu tivesse o poder. Mas essa doutrina tem o pleno apoio das Escrituras, e sobretudo das próprias palavras do nosso Senhor."
Lewis não está sozinho no seu temor da verdadeira idéia do inferno. É um assunto que pode causar um calafrio de horror em qualquer coração. Mas a verdade é que o inferno não é um acréscimo arbitrário. Ele é essencial ao céu e à própria existência de um Deus justo.
Não pode haver um paraíso sem um inferno, não somente porque o evangelho fala de ambos, mas porque se não há um inferno todos os caminhos conduzem ao mesmo local. E se todos os caminhos conduzem ao mesmo local, não faz diferença qual caminho você toma, e bondade e maldade cessam de existir. A presença de um Deus justo num tal mundo seria inconcebível!
O inferno faz uma diferença infinita. A altura da montanha é medida pela profundidade do vale. É o inferno que faz o paraíso. A grandeza da salvação é vista em oposição ao horror da condenação. É exatamente o inferno que tememos, que fala de um Deus moral, que rege num mundo moral onde bondade e maldade diferenciam-se, ambos em caráter e em conseqüência. O céu e o inferno não podem ser separados. Como Lewis também uma vez observou, "Eu não tenho conhecido ninguém que houvesse completamente descrito sobre o Inferno e que tivesse também uma convicção viva e vivificante sobre o Céu". No evangelho de Cristo o conceito do inferno é inevitável.
A palavra grega traduzida por nossa palavra inferno é gehenna. Ela é derivada do Vale de Hinom ao sudoeste de Jerusalém, onde crianças eram sacrificadas nos fogos do deus Moloque durante o reino dividido (2 Crônicas 28:3; 33:6) e foi por essa razão profanado por Josias a fim de terminar o costume (2 Reis 23:20). Jeremias o chamou de Vale da Matança por causa dos cadáveres que em breve ali seriam amontoados pela arremetida babilônica (Jeremias 7:32; 19:6). O vale tornou-se uma metáfora para morte, corrupção e incêndio.
Há várias razões para acreditar na existência do inferno, mas nenhuma tão convincente como a que Jesus mesmo disse. Das onze vezes que gehenna aparece no Novo Testamento, todas, exceto uma, vêm da boca do Senhor (Tiago 3:6). É Jesus que em todo o Novo Testamento pinta a figura mais gráfica do julgamento dos condenados, advertindo aos seus ouvintes severamente de tal destino (Mateus 5:22,29; 10:28; 23:15,33; Marcos 9:45-48; Lucas 12:5). Ele pinta o inferno como uma fornalha de fogo eterno e um processo interminável de corrupção (Mateus 25:41; Marcos 9:48). São trevas enchidas de um choro angustiante, um lugar de castigo eterno (Mateus 8:12; 25:46).
Este fogo, estas trevas, devem ser subentendidos literalmente? Talvez não, pois o diabo e os seus anjos que não possuem corpos materiais deverão sofrer a mesma sorte. Mas não há qualquer consolo nisso. Linguagem figurada é usada quando palavras comuns falham. A realidade do inferno será muito pior do que as figuras sugerem. O inferno é o lugar onde Deus não está, e poucos de nós têm seriamente contemplado como seria a absoluta ausência de Deus.
O inferno, em última análise, não é algo que Deus tenha acrescentado ao destino dos incrédulos, mas sim a conseqüência natural das escolhas que eles têm feito. Há afinal somente duas espécies de pessoas: aquelas que dizem a Deus, faça-se a tua vontade, e aquelas a quem Deus diz, no final, faça-se a tua vontade. Todos os que irão para o inferno ali estarão porque escolheram contra a vontade e a misericórdia de Deus. E o que têm escolhido?
Eles têm escolhido afastar-se de Deus e de todas as suas qualidades. Isso significa que desde que Deus como Criador tem dado à vida o seu propósito e sentido, a vida no inferno será eternamente sem sentido e inútil. Será uma terra cinzenta e desesperada, destruída de esperança e sonhos.
E porque Deus é amor (1 João 4:8), o inferno será um lugar onde não haverá amor. Nele estará a miséria empilhada de todo o ódio, malícia, inveja e ciúmes que jamais houve. Não haverá nenhuma compaixão, nenhuma meiguice, nenhuma atenção, nenhuma preocupação desinteressada por outros; somente o choro ininterrupto de egoísmo.
E porque Deus é luz (1 João 1:5-6), o inferno será verdadeiramente um lugar de "trevas" -- ininterruptas e absolutas. Não trevas literais, físicas, mas as trevas da maldade, perversão e impiedade. O inferno será um lugar do qual toda a bondade terá sido expurgada. E lá não haverá, como aqui tem havido para os desobedientes e incrédulos, a luz refletida da bondade e justiça de outros. Serão trevas totais!
E é assim, que os que vão ao inferno terão recebido exatamente o que desejavam, que é ter posto Deus fora de suas vidas. Não haverão mais apelos divinos para mudar de rumo, não mais apelos para voltar à casa, somente o silêncio vazio de um mundo passado, negro e morto.
Acerca dos que "dormem" (4:13-18). A morte é um assunto que assusta quase todos. Mas a Bíblia afirma que Cristo veio para destruir "aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo" e livrar "todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida" (Hebreus 2:14-15). A palavra do Senhor foi revelada para que pessoas não fossem desconhecedoras dos planos de Deus (4:13; veja 1 Coríntios 12:1). Os irmãos tessalonicenses conheceram e aceitaram a palavra, e não faria sentido eles encararem a morte com o desespero daqueles que não conhecem a Deus (veja 4:5). Por isso, Paulo, assim como fazia Jesus, trata os mortos como "os que dormem" (4:13-15; veja Marcos 5:39; João 11:11-14). Essa descrição é bastante consoladora, pois realça que a morte é um estado temporário. Assim como quem dorme acordará, também quem está morto ressuscitará (veja João 5:24-29; 1 Coríntios 15:21-22). A morte e a ressurreição de Jesus são a garantia disso (4:14). Posto que no último dia todos serão ressuscitados, Paulo fala aqui apenas dos "mortos em Cristo", ou seja, daqueles que morrem obedientes a Jesus (4:16). O verdadeiro consolo é que a morte física dos fiéis não tira deles o galardão. De fato, quando Cristo voltar, eles ressuscitarão primeiro e virão em sua companhia para buscar os fiéis que ainda vivem (4:14-18).
"Vigiemos e sejamos sóbrios" (5:1-11). Muitos perdem seu tempo "estudando" os "sinais dos tempos" para determinar exatamente quando o Senhor voltará. Estes trabalhos são geralmente espetaculares e assustadores para quem não conhece a Bíblia. Porém, a palavra de Deus deixa claro que o Senhor virá "como ladrão de noite", quando as pessoas menos esperam (5:1-3; veja Mateus 24:42-44). Assim como o ladrão não avisa quando vai chegar, é certo que também não haverá avisos sobre quando Cristo voltará.
Portanto, Paulo aconselha os irmãos a viverem sempre preparados como "filhos da luz e filhos do dia" (5:4-7; veja João 12:35-36). Quem obedece a palavra anda na luz, como Cristo andou (veja 1 João 1:5-7), sempre vigilante e sóbrio (5:6-8). A vida do cristão é uma vida de passos deliberados e não apenas uma vida à deriva. O cristão, pelo estudo honesto da palavra de Deus, vai se revestir de fé, amor e esperança, a fim de"alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo" (5:8-9). Assim, quem anda na luz terá a esperança de estar com Jesus seja na vida, seja na morte (5:10-11).
Perguntas para mais estudo:
·
Por
que Paulo disse que os mortos "dormem"? (4:13-16). Como temos certeza
que eles "acordarão"? (4:14,16).
·
De
acordo com o texto, quais serão os sinais da vinda do Senhor? (5:1-3).
·
Já
que ninguém sabe quando o Senhor vai voltar, qual a responsabilidade dos
"filhos da luz"? (5:4-11).
A Segunda Vinda e o Juízo
Ninguém jamais terá ouvido aquele som ecoar pelos vales daquele paraíso impecável, mas todos reagirão conscientemente. Esse som de trombeta será para alguns a ordem de recolhida nas nuvens, mas, para outros, um lamento aterrador, que os fará ajoelhar-se e implorar por misericórdia como alguém que se esconde em meio às rochas (Romanos 14:11; Apocalipse 6:16). Que som é esse? Será a última trombeta de Deus, soada no fim desta era para dar início à era vindoura S seguida do próprio juízo de Deus (1 Coríntios 15:52; 1 Tessalonicenses 4:16).
Não será só pelo som que o Senhor se evidenciará no grande notável dia. O Senhor virá nas nuvens com seus poderosos anjos para trazer um terrível castigo aos que não se submeteram ao seu domínio (2 Tessalonicenses 1:7-8; Atos 1:9-11). Na verdade, será um dia terrível do Senhor (veja Joel 2:31) S mas também um dia majestoso. O paradoxo surge do fato de que será um dia de julgamento, não apenas para o perverso, mas para os justos que estão no seio de Abraão (Lucas 16:22).
Há Esperança
Joel mostrou que na vinda do Senhor há esperança (Joel 2:32). Há uma libertação para todos os que invocam o seu nome. Essa mesma mensagem foi pregada por Paulo (Romanos 10:13) e proclamada por Pedro no Pentecostes (Atos 2:38). Na verdade, o julgamento diz respeito ao perdão, à remissão de pecados. Como Deus disse: "Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor" (Apocalipse 14:13), pois seus pecados são verdadeiramente "cobertos" (Romanos 4:7). Cobertos no sentido de terem sido perdoados; apagados do registro do Senhor.
Embora seja verdade que deveremos comparecer diante do trono de julgamento de Cristo para responder pelos atos que fizemos no corpo (2 Coríntios 5:10), isso de forma alguma significa que devemos ficar com os medrosos e os incrédulos (Apocalipse 21:8). Pelo contrário, o santo fiel apresenta-se ao Cordeiro de Deus com confiança porque já foi perdoado. O pecado dele, não o nome dele, foi apagado (Isaías 44:22; Atos 4:19). É como se o pecado jamais tivesse ocorrido. O pecado é apagado para sempre por Deus e jamais será reinserido nos registros. Deus fez um julgamento para saldar a dívida, e não há outro juiz que possa fazê-la ser novamente registrada.
Paulo trata dessa confiança em 2 Timóteo 1:12, ao declarar que é só Deus que é capaz de guardar aquilo que lhe confiou até aquele dia. O santo fiel está sempre em contato com o sangue purificador de Cristo, para que possa levar uma vida sem medo (1 João 1:7). Está sempre debaixo do julgamento de Deus, que o declara justo S uma justiça que surge do perdão, não da realização humana.
O Seio de Abraão
Lucas 16 apresenta um quadro muito singular, onde mostra que os justos que morrem são levados por anjos para o seio de Abraão. É interessante, uma vez que a cena precede o julgamento, mas mostra com clareza que já aconteceu uma separação. Por um lado, o rico em tormento clama a Abraão sem sucesso. O outro homem, Lázaro, é recebido em conforto e em descanso. Fica mais interessante quando se leva em conta que o descanso (exoneração do trabalho) dos justos deve seguir o julgamento (2 Tessalonicenses 1:7-8). Para ser claro, vamos dizer o "juízo final".
Na verdade, entretanto, a cena não deve ser considerada estranha. O perdão constantemente disponível ao justo constitui uma forma de julgamento S a justiça de Deus sendo conferida sem favor aos que andam na luz. A graça de Deus apareceu trazendo a salvação, mas ensinando-nos a desejar ansiosamente a salvação imperdível que acontecerá no julgamento final (Tito 2:11-14).
Os justos que morreram não têm desvantagens com respeito aos vivos. Na verdade, temos certeza que os vivos não "precederão" os mortos quando a igreja subir para o Senhor da Glória (1 Tessalonicenses 4:15-17). Assim, quer mortos, quer vivos; quer desfrutando do julgamento de perdão na vida, quem tendo consciência dele na morte, todos seremos capazes de subir até Deus em triunfo. Naquele dia, ouviremos o Senhor declarar que devemos reunir-nos à sua direita (Mateus 25:33-34), onde ouviremos a mais gloriosa das declarações: "Entra no gozo do teu senhor" (Mateus 25:21).
Ao fim
As pessoas geralmente pensam que o juízo de Deus é algo terrível, mas não o é. É tanto uma declaração de perdão quanto de condenação. Só ficam apavorados os que não estão em Cristo, os que não aproveitaram a purificação de seu sangue. Os que o amam não têm nenhum medo (1 João 4:18).
Se você está aproximando-se do juízo final com medo, é necessário pensar no autor da salvação, para que possa chegar no julgamento como aqueles que ouvirão: "Muito bem, servo bom e fiel". Então, quando você ouvir aquele som singular que jamais ouviu, alegremente se levantará para encontrar-se com o Senhor. Você não pensará no julgamento como um momento de medo, mas de regozijo; regozijo com a perspectiva de experimentar ainda outro "primeiro" S aquele primeiro exame do lar preparado para os salvos pelo próprio Filho de Deus (João 14:1-3). Ah, como será maravilhoso lá S no cenário do próprio julgamento!
Ninguém jamais terá ouvido aquele som ecoar pelos vales daquele paraíso impecável, mas todos reagirão conscientemente. Esse som de trombeta será para alguns a ordem de recolhida nas nuvens, mas, para outros, um lamento aterrador, que os fará ajoelhar-se e implorar por misericórdia como alguém que se esconde em meio às rochas (Romanos 14:11; Apocalipse 6:16). Que som é esse? Será a última trombeta de Deus, soada no fim desta era para dar início à era vindoura S seguida do próprio juízo de Deus (1 Coríntios 15:52; 1 Tessalonicenses 4:16).
Não será só pelo som que o Senhor se evidenciará no grande notável dia. O Senhor virá nas nuvens com seus poderosos anjos para trazer um terrível castigo aos que não se submeteram ao seu domínio (2 Tessalonicenses 1:7-8; Atos 1:9-11). Na verdade, será um dia terrível do Senhor (veja Joel 2:31) S mas também um dia majestoso. O paradoxo surge do fato de que será um dia de julgamento, não apenas para o perverso, mas para os justos que estão no seio de Abraão (Lucas 16:22).
Há Esperança
Joel mostrou que na vinda do Senhor há esperança (Joel 2:32). Há uma libertação para todos os que invocam o seu nome. Essa mesma mensagem foi pregada por Paulo (Romanos 10:13) e proclamada por Pedro no Pentecostes (Atos 2:38). Na verdade, o julgamento diz respeito ao perdão, à remissão de pecados. Como Deus disse: "Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor" (Apocalipse 14:13), pois seus pecados são verdadeiramente "cobertos" (Romanos 4:7). Cobertos no sentido de terem sido perdoados; apagados do registro do Senhor.
Embora seja verdade que deveremos comparecer diante do trono de julgamento de Cristo para responder pelos atos que fizemos no corpo (2 Coríntios 5:10), isso de forma alguma significa que devemos ficar com os medrosos e os incrédulos (Apocalipse 21:8). Pelo contrário, o santo fiel apresenta-se ao Cordeiro de Deus com confiança porque já foi perdoado. O pecado dele, não o nome dele, foi apagado (Isaías 44:22; Atos 4:19). É como se o pecado jamais tivesse ocorrido. O pecado é apagado para sempre por Deus e jamais será reinserido nos registros. Deus fez um julgamento para saldar a dívida, e não há outro juiz que possa fazê-la ser novamente registrada.
Paulo trata dessa confiança em 2 Timóteo 1:12, ao declarar que é só Deus que é capaz de guardar aquilo que lhe confiou até aquele dia. O santo fiel está sempre em contato com o sangue purificador de Cristo, para que possa levar uma vida sem medo (1 João 1:7). Está sempre debaixo do julgamento de Deus, que o declara justo S uma justiça que surge do perdão, não da realização humana.
O Seio de Abraão
Lucas 16 apresenta um quadro muito singular, onde mostra que os justos que morrem são levados por anjos para o seio de Abraão. É interessante, uma vez que a cena precede o julgamento, mas mostra com clareza que já aconteceu uma separação. Por um lado, o rico em tormento clama a Abraão sem sucesso. O outro homem, Lázaro, é recebido em conforto e em descanso. Fica mais interessante quando se leva em conta que o descanso (exoneração do trabalho) dos justos deve seguir o julgamento (2 Tessalonicenses 1:7-8). Para ser claro, vamos dizer o "juízo final".
Na verdade, entretanto, a cena não deve ser considerada estranha. O perdão constantemente disponível ao justo constitui uma forma de julgamento S a justiça de Deus sendo conferida sem favor aos que andam na luz. A graça de Deus apareceu trazendo a salvação, mas ensinando-nos a desejar ansiosamente a salvação imperdível que acontecerá no julgamento final (Tito 2:11-14).
Os justos que morreram não têm desvantagens com respeito aos vivos. Na verdade, temos certeza que os vivos não "precederão" os mortos quando a igreja subir para o Senhor da Glória (1 Tessalonicenses 4:15-17). Assim, quer mortos, quer vivos; quer desfrutando do julgamento de perdão na vida, quem tendo consciência dele na morte, todos seremos capazes de subir até Deus em triunfo. Naquele dia, ouviremos o Senhor declarar que devemos reunir-nos à sua direita (Mateus 25:33-34), onde ouviremos a mais gloriosa das declarações: "Entra no gozo do teu senhor" (Mateus 25:21).
Ao fim
As pessoas geralmente pensam que o juízo de Deus é algo terrível, mas não o é. É tanto uma declaração de perdão quanto de condenação. Só ficam apavorados os que não estão em Cristo, os que não aproveitaram a purificação de seu sangue. Os que o amam não têm nenhum medo (1 João 4:18).
Se você está aproximando-se do juízo final com medo, é necessário pensar no autor da salvação, para que possa chegar no julgamento como aqueles que ouvirão: "Muito bem, servo bom e fiel". Então, quando você ouvir aquele som singular que jamais ouviu, alegremente se levantará para encontrar-se com o Senhor. Você não pensará no julgamento como um momento de medo, mas de regozijo; regozijo com a perspectiva de experimentar ainda outro "primeiro" S aquele primeiro exame do lar preparado para os salvos pelo próprio Filho de Deus (João 14:1-3). Ah, como será maravilhoso lá S no cenário do próprio julgamento!
O que a Bíblia ensina sobre a situação
dos mortos?
O homem tem tanto um
corpo material como um espírito imortal. Ao morrer, o corpo do homem retorna à
terra e se consome. Pela fé, o cristão também sabe que quando Cristo retornar,
no final dos tempos, nossos corpos ressuscitarão dentre os mortos em estado
imperecível e incorruptível. (Estude 1 Coríntios 15 para maiores minúcias.)
Ao morrer, o espírito do homem retorna a Deus (Eclesiastes 12:7). Paulo
disse que, quando ele morresse, estaria presente com o Senhor (2 Coríntios
5:6-8; Filipenses 1:21-23). Mesmo os espíritos dos homens ímpios permanecem
conscientes, sofrendo tormento (Lucas 16:19-31). Muitas pessoas ficam confusas
com a palavra "morte". Elas crêem que ela significa aniquilação ou o
fim da existência. Contudo, a idéia básica na palavra "morte" é
separação. A morte material significa separação do corpo e do espírito. A morte
espiritual significa a separação do homem e de Deus. Quando eu morro, eu não
deixo de existir, mas de fato minha alma e meu corpo são separados.
Assim, aqui está o que a Bíblia diz sobre a situação dos mortos: seus
corpos retornam ao pó, aguardando a ressurreição. Seus espíritos estão ou no
paraíso, com Deus, ou em tormento, dependendo de seus atos quando estavam em
seus corpos.
Leia Gênesis 5:1-32. Agora responda a uma pergunta: qual a finalidade desse capítulo? Há, pelo menos, dois motivos importantes para incluir esse relato na Bíblia: 1. Para mostrar a genealogia de Adão até Noé, assim fornecendo uma parte importante da história dos antepassados dos judeus, e 2. Para mostrar nitidamente a conseqüência física do pecado que entrou no mundo por meio de Adão e Eva. Pense um pouco sobre esse segundo motivo.
Sete vezes em 32 versículos encontramos esta observação: "e morreu". Alguns viveram muitos anos — até 969 — mas morreram. Adão, Sete, Enos, Cainã, Maalaleel, Metusalém e Lameque. Todos viveram. Todos criaram filhos. Todos morreram. Deus usou, e ainda usa, a morte física para nos relembrar da maior conseqüência do nosso pecado: a morte espiritual.
No meio de um capítulo cheio de morte, há esperança. "Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si" (5:24). Milhares de anos depois, o autor de Hebreus explicou melhor: "Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus" (Hebreus 11:5). Enoque escapou da morte pela fé, dando esperança para todos que vieram depois que haveria a possibilidade de vencer a morte.
Agora, Jesus mostra como nós, também, podemos vencer a morte. A morte física continua, mas não é final. Ele prometeu que todos os homens serão ressuscitados, da mesma forma que ele subiu da sepultura. Mais importante, podemos evitar a morte eterna: "Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" (1 Coríntios 15:55)
Os Ladrões Crucificados com Jesus
Jesus Cristo morreu como um criminoso, com verdadeiros criminosos dos dois lados. Dois ladrões condenados à morte foram crucificados com Jesus. Quando outras pessoas blasfemavam e zombaram de Jesus, esses ladrões também o insultaram (Mateus 27:44; Marcos 15:32).
Em algum momento durante as seis horas que Jesus ficou pendurado na cruz, a conversa dos ladrões mudou. Um continuou zombando do Senhor, mas o outro percebeu o erro destes comentários e o repreendeu. Ele disse: “Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino” (Lucas 23:40-42).
Não sabemos o nome deste ladrão, nem outros detalhes da sua vida, mas sabemos que chegou a reconhecer a inocência de Jesus e sua posição no plano de Deus. Jesus seria o Rei eterno, e o ladrão arrependido queria participar desse reino.
Depois destas palavras do ladrão, a resposta de Jesus mudou o destino eterno deste homem. “Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). O ladrão não mereceu a salvação, e neste fato bem representa todos nós, pois não merecemos a vida eterna (Romanos 3:23; 6:23). O ladrão foi salvo por causa da sua fé mediante a graça do Senhor, que é o único caminho para a nossa salvação (Efésios 2:8-9). Quando reconhecemos o problema do pecado que nos separa de Deus, percebemos que temos muito em comum com o ladrão que confessou sua fé em Jesus na cruz.
Há, porém, diferenças importantes entre nós e o ladrão na cruz. É importante observar essas diferenças para evitar o erro comum de procurar a salvação em exatamente os mesmos termos que observamos no caso desse ladrão. Os mesmos princípios básicos – a salvação pela fé mediante a graça – são válidos para todos. Mas seria errado procurar ser salvo exatamente como ele foi. Considere algumas diferenças importantes.
1) Nós não estamos morrendo numa cruz. Pessoas que falam de serem salvas da mesma maneira nunca querem repetir toda a experiência do ladrão. Ele foi crucificado!
2) Jesus não está fisicamente presente conosco. Durante seu tempo aqui na terra, Jesus perdoou os pecados de várias pessoas por simples declarações. Ao paralítico em Cafarnaum ele disse: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (Marcos 2:5). Quando uma mulher pecadora ungiu seus pés na casa de um fariseu, Jesus viu seu amor e disse: “Perdoados são os teus pecados” (Lucas 7:48). Esses casos servem para provar o poder divino de Jesus, como ele mesmo explicou: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Mateus 9:6). Mas, ninguém nos leva numa maca para a casa onde Jesus está fisicamente presente, e não chegamos a tocar nos pés dele. Ele agia assim durante seu tempo aqui na terra, deixando os homens verem de primeira mão sua misericórdia e seu poder.
3) Nós vivemos depois da morte de Jesus. Talvez a mais importante das diferenças entre nós e o ladrão na cruz é o fato de estarmos em lados opostos da cruz! O ladrão procurou e recebeu a salvação antes da morte de Jesus. Nós procuramos a salvação depois da sua morte. Este fato faz uma diferença crítica. Um testamento entra em vigor após a morte do testador (Hebreus 9:16-17). O testamento de Jesus tomou efeito depois da sua morte. No Novo Testamento que Jesus nos deu por meio dos apóstolos, ele não exige um contato físico com ele, nem a morte na cruz. Ele revelou seus termos para a nossa salvação quando falou da necessidade da fé, da confissão, do arrependimento, do batismo e da obediência ao evangelho (Marcos 16:16; Romanos 10:9-10; Atos 2:38; 22:16; Hebreus 5:9).
O ladrão não precisou ser batizado, e nós não precisamos morrer numa cruz, mas para entrar e permanecer no reino de Cristo, precisamos demonstrar a mesma fé submissa e obediente.
Jesus Cristo morreu como um criminoso, com verdadeiros criminosos dos dois lados. Dois ladrões condenados à morte foram crucificados com Jesus. Quando outras pessoas blasfemavam e zombaram de Jesus, esses ladrões também o insultaram (Mateus 27:44; Marcos 15:32).
Em algum momento durante as seis horas que Jesus ficou pendurado na cruz, a conversa dos ladrões mudou. Um continuou zombando do Senhor, mas o outro percebeu o erro destes comentários e o repreendeu. Ele disse: “Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino” (Lucas 23:40-42).
Não sabemos o nome deste ladrão, nem outros detalhes da sua vida, mas sabemos que chegou a reconhecer a inocência de Jesus e sua posição no plano de Deus. Jesus seria o Rei eterno, e o ladrão arrependido queria participar desse reino.
Depois destas palavras do ladrão, a resposta de Jesus mudou o destino eterno deste homem. “Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). O ladrão não mereceu a salvação, e neste fato bem representa todos nós, pois não merecemos a vida eterna (Romanos 3:23; 6:23). O ladrão foi salvo por causa da sua fé mediante a graça do Senhor, que é o único caminho para a nossa salvação (Efésios 2:8-9). Quando reconhecemos o problema do pecado que nos separa de Deus, percebemos que temos muito em comum com o ladrão que confessou sua fé em Jesus na cruz.
Há, porém, diferenças importantes entre nós e o ladrão na cruz. É importante observar essas diferenças para evitar o erro comum de procurar a salvação em exatamente os mesmos termos que observamos no caso desse ladrão. Os mesmos princípios básicos – a salvação pela fé mediante a graça – são válidos para todos. Mas seria errado procurar ser salvo exatamente como ele foi. Considere algumas diferenças importantes.
1) Nós não estamos morrendo numa cruz. Pessoas que falam de serem salvas da mesma maneira nunca querem repetir toda a experiência do ladrão. Ele foi crucificado!
2) Jesus não está fisicamente presente conosco. Durante seu tempo aqui na terra, Jesus perdoou os pecados de várias pessoas por simples declarações. Ao paralítico em Cafarnaum ele disse: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (Marcos 2:5). Quando uma mulher pecadora ungiu seus pés na casa de um fariseu, Jesus viu seu amor e disse: “Perdoados são os teus pecados” (Lucas 7:48). Esses casos servem para provar o poder divino de Jesus, como ele mesmo explicou: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Mateus 9:6). Mas, ninguém nos leva numa maca para a casa onde Jesus está fisicamente presente, e não chegamos a tocar nos pés dele. Ele agia assim durante seu tempo aqui na terra, deixando os homens verem de primeira mão sua misericórdia e seu poder.
3) Nós vivemos depois da morte de Jesus. Talvez a mais importante das diferenças entre nós e o ladrão na cruz é o fato de estarmos em lados opostos da cruz! O ladrão procurou e recebeu a salvação antes da morte de Jesus. Nós procuramos a salvação depois da sua morte. Este fato faz uma diferença crítica. Um testamento entra em vigor após a morte do testador (Hebreus 9:16-17). O testamento de Jesus tomou efeito depois da sua morte. No Novo Testamento que Jesus nos deu por meio dos apóstolos, ele não exige um contato físico com ele, nem a morte na cruz. Ele revelou seus termos para a nossa salvação quando falou da necessidade da fé, da confissão, do arrependimento, do batismo e da obediência ao evangelho (Marcos 16:16; Romanos 10:9-10; Atos 2:38; 22:16; Hebreus 5:9).
O ladrão não precisou ser batizado, e nós não precisamos morrer numa cruz, mas para entrar e permanecer no reino de Cristo, precisamos demonstrar a mesma fé submissa e obediente.
No capítulo
5, Paulo destaca o poder de Jesus vivo para ajudar os discípulos perdoados, e
apresenta uma série de pontos de contraste entre Adão e Jesus.
O Poder de Jesus Vivo (1-11)
O pecado nos separou de Deus. Agora o resultado da nossa
justificação é a comunhão e paz com ele (1). Por intermédio de Jesus, temos a
esperança da glória de Deus (2).
Também gloriamos nas coisas que nos levam à esperança:
tribulações, perseverança e experiência (3-4). Se, pelo sofrimento da morte,
Jesus chegou à glória, nós podemos encarar sofrimento em nossa vida com a mesma
confiança ( Hebreus 12:1-3).
Temos convicção da esperança, porque ela se baseia em Deus (5-8):
● Deus derramou o seu amor (5)
● O Espírito Santo revelou este amor (5)
● Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores (6-8)
● Na morte de Jesus, o amor de Deus foi revelado (8). Que amor sobrenatural! Quando éramos pecadores, lutando contra a santidade e a bondade de Deus, Cristo morreu por nós.
● O Espírito Santo revelou este amor (5)
● Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores (6-8)
● Na morte de Jesus, o amor de Deus foi revelado (8). Que amor sobrenatural! Quando éramos pecadores, lutando contra a santidade e a bondade de Deus, Cristo morreu por nós.
Muito mais agora (9-11). Preste atenção nesses versículos. O
ensinamento de Paulo aqui conforta e anima o servo de Deus. No passado, Cristo demonstrou
seu poder para salvar os pecadores (inimigos) pela sua morte. No presente, ele demonstra
ainda mais poder para salvar os justificados (reconciliados, amigos) pela sua
vida. Paulo não vê a obra redentora de Cristo como apenas o sacrifício feito na
cruz. Jesus vive e age ao nosso favor. Ele é nosso Advogado (1 João 2:1) e
intercede por nós (8:34). Jesus morreu para nos salvar, e vive para nos salvar!
Adão e Jesus (12-21)
Vamos observar primeiro o conteúdo deste trecho, e depois fazer
algumas observações sobre as distinções apresentadas.
Adão trouxe o pecado ao mundo, e o pecado trouxe a morte. Todos
morrem, porque todos pecam (12).
O pecado já existia antes da Lei dada por intermédio de Moisés,
provando que já havia lei governando todos os homens (13-14). A morte já reinou
de Adão a Moisés, mostrando que Deus levou em conta o pecado naquela época.
Mas, os pecados dos outros não eram o mesmo cometido por Adão. Ele violou uma
lei (Gênesis 2:16-17); eles violaram outras.
Adão “prefigurava
aquele que havia de vir” (14).
Pelo ato único de violar uma lei especial, ele trouxe conseqüências sobre
todos. Jesus, como Paulo mostrará nos versículos seguintes, por um ato único de
obedecer o Pai, trouxe bênçãos para todos. Como a ofensa trouxe a morte a
muitos, o sacrifício de Jesus trouxe a vida a muitos (15).
O dom é superior à ofensa. Uma ofensa causou o sofrimento de
muitos. A graça responde a muitas ofensas e traz a justificação (16). Pela
ofensa de Adão, a morte reinou sobre os homens. Pelo ato de Jesus, os homens
reinam sobre a morte (17).
Participação de morte e de vida (18-19). Neste trecho, Paulo fala de dois
sentidos de morte e dois sentidos de vida. Pelo pecado de Adão, a morte física
passou a todos os homens. Pela ressurreição de Jesus, todos os homens serão
ressuscitados (fisicamente – veja 1 Corínitos 15:20-22). Todos que participaram
do pecado participam também da morte espiritual. E todos que participam da
obediência de Cristo se tornam discípulos e participam também da vida
espiritual.
A lei enfatiza o pecado, mas a graça é maior ainda (20). O pecado
reinou na morte, mas a graça reina pela justiça (de Cristo) para a vida eterna
(21). A graça e sua recompensa são superiores ao pecado e sua conseqüência!
– por Dennis Allan
A Carta de Jesus para uma Igreja no
Leito de Morte
Frequentemente julgamos os outros pela aparência. Observamos o comportamento e tentamos entender os motivos. Jesus julga os corações. Ele vê o caráter verdadeiro de cada pessoa e de cada igreja. Quando enviou sua carta ao mensageiro da igreja em Sardes (Apocalipse 3:1-6), ele contrariou a impressão popular dos discípulos. Apesar de ter a reputação de uma igreja forte e ativa, ele viu as falhas e sabia que aquela congregação já estava quase morta. Se não voltasse a viver, seria tomada de surpresa, como se fosse por um ladrão.
A cidade antiga de Sardes, hoje apenas ruínas perto da atual vila de Sarte na Turquia, considerava-se impenetrável. Situava-se em uma rota comercial importante no vale do Hermo, com a parte superior da cidade (a acrópole) quase 500 metros acima da planície, nos rochedos íngremes do vale. Era uma cidade próspera, em parte devido ao ouro encontrado no Pactolos, um ribeiro que passava pela cidade. A cidade antiga fazia parte do reino lídio. Pela produção de ouro, prata, pedras preciosas, lã, tecido, etc., se tornou próspera. Em 546 a.C., o rei lídio, Croeso, foi derrotado pelos persas (sob Ciro o Grande). Soldados persas observaram um soldado de Sardes descer os rochedos e, depois, subiram pelo mesmo caminho para tomar a cidade de surpresa durante a noite. Assim, a cidade “inconquistável” caiu quando o inimigo chegou como ladrão na noite. Em 334 a.C., a cidade se rendeu a Alexandre, o Grande. Em 214 a.C., caiu outra vez a Antíoco, o Grande, da Síria. Durante o período romano, pertencia à província da Ásia, mas nunca mais recuperou o seu prestígio. Era uma cidade com um passado glorioso e um presente de pouca importância em termos políticos e comerciais.
Jesus, que vê e domina sobre todos, conhecia a verdade sobre a igreja em Sardes. Ele disse “tens nome de que vives, e estás morto”. Esta frase ilustra perfeitamente a diferença importante entre reputação e caráter. A reputação é a fama da pessoa, o que os outros acham que ela é. O caráter é a essência real da pessoa, o que ela realmente é. As outras pessoas podem ver somente por fora, mas Jesus vê o homem interior e sonda os corações. Ele não pode ser enganado por ninguém. A igreja de Sardes teve a reputação de ser ativa e viva, mas Jesus sabia que estava quase morta. Ele não fala de perseguição romana, nem de conflitos com falsos judeus. Não cita nenhum caso de falsos mestres seduzindo o povo ao pecado. Ele fala de uma igreja aparentemente em paz e tomada por indiferença e apatia. A boa fama não ocultou a verdadeira natureza desta congregação dos olhos do Senhor.
Jesus continuou sua crítica da igreja em Sardes: “Não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus”. Para ter a reputação de ser uma igreja viva, parece que ainda havia alguma atividade em Sardes. O problema não foi a ausência total de obras, mas a falta de integridade delas. É possível defender a doutrina de Deus sem amar ao Senhor (2:2-4). É possível obedecer aos mandamentos de Deus sem inteireza de coração (2 Crônicas 25:2). É possível fazer coisas certas com motivos errados. Os homens podem ver as obras; Deus vê, também, os corações.
Jesus ainda desejava salvar as pessoas em Sardes: “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te”. Como a cidade de Sardes olhava para seu passado glorioso, a igreja precisava lembrar das grandes bênçãos recebidas e voltar a valorizar a sua comunhão especial com Deus. Se esquecermos da palavra de Deus e da salvação do pecado, facilmente cairemos no pecado (veja 2 Pedro 1:8-9). Para nos firmarmos na fé, temos de lembrar do que temos recebido. Mas não é suficiente lembrar das coisas que ouvimos; precisamos guardar. O evangelho não é apenas para ouvir; é para ser obedecido (2 Tessalonicenses 1:8; 1 Pedro 4:17).
E mesmo no meio de uma igreja moribunda, Jesus achou algumas pessoas boas, “poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras”. Estas pessoas, os vencedores que não abandonaram o Senhor, teriam seus nomes escritos no Livro da Vida e a esperança da eternidade na presença de Jesus, o Salvador. Jesus disse do vencedor: “confessarei o seu nome diante de meu Pai”. Para Jesus nos confessar ao seu semelhante, devemos ser fiéis em confessar o nome dele diante dos nossos semelhantes (Marcos 8:38).
É bom ter uma boa reputação, mas o que realmente importa é manter o bom caráter. Vamos sempre procurar ser íntegros, pois ninguém engana Jesus Cristo!
Frequentemente julgamos os outros pela aparência. Observamos o comportamento e tentamos entender os motivos. Jesus julga os corações. Ele vê o caráter verdadeiro de cada pessoa e de cada igreja. Quando enviou sua carta ao mensageiro da igreja em Sardes (Apocalipse 3:1-6), ele contrariou a impressão popular dos discípulos. Apesar de ter a reputação de uma igreja forte e ativa, ele viu as falhas e sabia que aquela congregação já estava quase morta. Se não voltasse a viver, seria tomada de surpresa, como se fosse por um ladrão.
A cidade antiga de Sardes, hoje apenas ruínas perto da atual vila de Sarte na Turquia, considerava-se impenetrável. Situava-se em uma rota comercial importante no vale do Hermo, com a parte superior da cidade (a acrópole) quase 500 metros acima da planície, nos rochedos íngremes do vale. Era uma cidade próspera, em parte devido ao ouro encontrado no Pactolos, um ribeiro que passava pela cidade. A cidade antiga fazia parte do reino lídio. Pela produção de ouro, prata, pedras preciosas, lã, tecido, etc., se tornou próspera. Em 546 a.C., o rei lídio, Croeso, foi derrotado pelos persas (sob Ciro o Grande). Soldados persas observaram um soldado de Sardes descer os rochedos e, depois, subiram pelo mesmo caminho para tomar a cidade de surpresa durante a noite. Assim, a cidade “inconquistável” caiu quando o inimigo chegou como ladrão na noite. Em 334 a.C., a cidade se rendeu a Alexandre, o Grande. Em 214 a.C., caiu outra vez a Antíoco, o Grande, da Síria. Durante o período romano, pertencia à província da Ásia, mas nunca mais recuperou o seu prestígio. Era uma cidade com um passado glorioso e um presente de pouca importância em termos políticos e comerciais.
Jesus, que vê e domina sobre todos, conhecia a verdade sobre a igreja em Sardes. Ele disse “tens nome de que vives, e estás morto”. Esta frase ilustra perfeitamente a diferença importante entre reputação e caráter. A reputação é a fama da pessoa, o que os outros acham que ela é. O caráter é a essência real da pessoa, o que ela realmente é. As outras pessoas podem ver somente por fora, mas Jesus vê o homem interior e sonda os corações. Ele não pode ser enganado por ninguém. A igreja de Sardes teve a reputação de ser ativa e viva, mas Jesus sabia que estava quase morta. Ele não fala de perseguição romana, nem de conflitos com falsos judeus. Não cita nenhum caso de falsos mestres seduzindo o povo ao pecado. Ele fala de uma igreja aparentemente em paz e tomada por indiferença e apatia. A boa fama não ocultou a verdadeira natureza desta congregação dos olhos do Senhor.
Jesus continuou sua crítica da igreja em Sardes: “Não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus”. Para ter a reputação de ser uma igreja viva, parece que ainda havia alguma atividade em Sardes. O problema não foi a ausência total de obras, mas a falta de integridade delas. É possível defender a doutrina de Deus sem amar ao Senhor (2:2-4). É possível obedecer aos mandamentos de Deus sem inteireza de coração (2 Crônicas 25:2). É possível fazer coisas certas com motivos errados. Os homens podem ver as obras; Deus vê, também, os corações.
Jesus ainda desejava salvar as pessoas em Sardes: “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te”. Como a cidade de Sardes olhava para seu passado glorioso, a igreja precisava lembrar das grandes bênçãos recebidas e voltar a valorizar a sua comunhão especial com Deus. Se esquecermos da palavra de Deus e da salvação do pecado, facilmente cairemos no pecado (veja 2 Pedro 1:8-9). Para nos firmarmos na fé, temos de lembrar do que temos recebido. Mas não é suficiente lembrar das coisas que ouvimos; precisamos guardar. O evangelho não é apenas para ouvir; é para ser obedecido (2 Tessalonicenses 1:8; 1 Pedro 4:17).
E mesmo no meio de uma igreja moribunda, Jesus achou algumas pessoas boas, “poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras”. Estas pessoas, os vencedores que não abandonaram o Senhor, teriam seus nomes escritos no Livro da Vida e a esperança da eternidade na presença de Jesus, o Salvador. Jesus disse do vencedor: “confessarei o seu nome diante de meu Pai”. Para Jesus nos confessar ao seu semelhante, devemos ser fiéis em confessar o nome dele diante dos nossos semelhantes (Marcos 8:38).
É bom ter uma boa reputação, mas o que realmente importa é manter o bom caráter. Vamos sempre procurar ser íntegros, pois ninguém engana Jesus Cristo!
Deus dá vida. Demonstrou esse poder exclusivo na criação dos seres vivos no universo material em que vivemos (Atos 17:25). Jesus é a vida (João 14:6). Demonstrou seu poder quando ressuscitou mortos (João 11:25). Mas as manifestações de vida física são apenas amostras do seu poder real de dar a vida eterna. Nenhum milagre na história do mundo iguala a importância da ressurreição de Jesus Cristo no terceiro dia depois da sua crucificação em Jerusalém.
A vitória de Jesus sobre a morte foi predita em profecias durante milhares de anos antes da sua vinda em carne. Embora seja quase impossível que Adão e Eva tenham compreendido a importância das palavras, a primeira sugestão da ressurreição veio no jardim do Éden, logo depois do pecado do primeiro casal. Quando Deus falou das consequências dos erros cometidos pela serpente e pelo casal humano, ele disse: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15). O descendente da mulher dessa profecia é Jesus. Ele foi ferido pelo Inimigo, que juntou forças más para matar o Filho de Deus na cruz. Mas, no contexto maior, seu golpe foi pouco. Na ressurreição, Jesus esmagou a serpente.
Davi profetizou a respeito da ressurreição, como o apóstolo Pedro explicou. A morte não teria a vitória sobre o Santo de Deus. Ele não seria deixado no túmulo como outros homens: “porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (Atos 2:27).
Quando Jesus viu a data da sua morte se aproximando, ele começou a falar para os apóstolos sobre o que aconteceria em Jerusalém. Foi difícil para Pedro e os outros aceitarem a ideia da morte de Jesus, e não entenderam bem sua promessa da ressurreição. “Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia” (Mateus 16:21).
Jesus foi preso, condenado em um processo ilegal e crucificado. Os apóstolos, ainda lutando para entender o significado da promessa da ressurreição, foram dispersos e confusos. Mesmo as mulheres que foram ao túmulo no domingo depois da crucificação esperavam terminar o trabalho de embalsamar o corpo, e ficaram surpresas e perplexas ao encontrar o túmulo desocupado.
As notícias começaram a se espalhar. As mulheres foram avisar os apóstolos, e alguns deles foram correndo ao túmulo para verificar os fatos. Jesus apareceu, mas inicialmente sem permitir que fosse reconhecido, a dois discípulos no caminho para Emaús. Explicou o significado das profecias do Antigo Testamento sobre o Messias. Apareceu aos apóstolos, mas Tomé não estava presente e continuou com suas dúvidas até o dia em que ele viu Jesus com seus próprios olhos. Durante seis semanas, Jesus acompanhou os apóstolos, ensinando sobre a missão importantíssima que lhes deu, e provando o fato da sua vitória sobre a morte.
Outras pessoas foram ressuscitadas antes de Jesus sair do túmulo em Jerusalém, mas ele levantou para nunca mais morrer. Uns 40 dias depois, ele subiu para o céu e assumiu seu devido lugar à destra do Pai. Ele venceu a morte uma vez por todas. Penetrou o céu para abrir acesso para outros, e ainda oferece para nós a esperança da ressurreição para a vida eterna.
Paulo disse que centenas de pessoas viram Jesus depois da ressurreição. Sua apresentação dessa evidência da veracidade da ressurreição ganha mais força pela observação que a maioria dessas pessoas ainda viviam quando Paulo escreveu aos coríntios (1 Coríntios 15:4-6). Esse comentário foi um convite óbvio para qualquer pessoa verificar as evidências para tirar suas dúvidas. Quando Paulo escreveu, uns 20 anos depois da morte de Jesus, ainda seria possível encontrar testemunhas oculares para verificar os fatos.
Paulo tratou a questão da ressurreição com tanta confiança porque é a doutrina central que serve de base para a fé de todos os cristãos. Se o corpo de Jesus tivesse se decomposto no sepulcro em Jerusalém, toda a base do cristianismo teria apodrecido junto. Mas ele venceu a morte e, por isso, nós podemos esperar com confiança sua volta para cumprir suas eternas promessas!
–por Dennis Allan
A Volta do
Senhor
A Bíblia ensina que Jesus voltará. Esta volta deveria interessar a todas
as pessoas. Quando Jesus voltará? E como? E o que acontecerá, quando Cristo
voltar? Estas perguntas têm respostas simples na Bíblia, mas tornaram-se
complicadas e confusas por causa do acréscimo de especulações e doutrinas
humanas. Este livreto, primeiro, examinará o que a Bíblia claramente ensina e
depois mostrará as falhas das teorias humanas mais ensinadas.
Quando?
"Mas a respeito daquele dia e hora, ninguém sabe nem
os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. Pois assim como foi nos dias de
Noé, também será a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias
anteriores ao dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao
dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio
e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem" (Mateus
24:36-39). "Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém
sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai" (Marcos
13:32). "Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há
necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com
precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando
andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição,
como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo
escaparão" (1 Tessalonicenses 5:1-3). Ninguém sabe quando Cristo
voltará. O próprio Cristo não sabia. Sabemos somente que ele voltará
inesperadamente, sem aviso. Quem quer que se proponha a marcar uma data para a
volta do Senhor pensa que sabe algo que nem Jesus, nem os anjos sabiam.
Sempre temos que permanecer preparados para a volta do Senhor. "Portanto,
vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. Mas considerai isto:
se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria
que fosse arrombada a sua casa. Por isso, ficai também vós apercebidos;
porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá" (Mateus
24:42-44). Desde que nunca sabemos quando o ladrão pode chegar, temos que
manter nossas casas sempre fechadas. Desde que não sabemos quando o Senhor
voltará, temos que sempre viver fielmente. A natureza imprevista da volta do
Senhor significa que é impossível olhar em volta buscando sinais, numa
tentativa de calcular uma data aproximada. Ninguém tem qualquer idéia de quando
o Senhor pode voltar. Ele pode voltar antes que você termine de ler isto; ou
poderiam se passar outros 2000 anos a partir de hoje. Que possamos estar sempre
prontos!
Como?
"Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a
voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em
Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos
arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos
ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor" (1
Tessalonicenses 4:16-17). Quando Jesus retornar, todos saberão. A idéia de uma
volta secreta do Senhor para, em silêncio, carregar uns poucos, é desconhecida
nas Escrituras. A voz do arcanjo e o som da trombeta, com certeza, não são
sinais silenciosos e secretos.
O Quê?
Já vimos que os mortos ressurgirão quando Cristo voltar. Em João 5:28-29
Jesus disse que todos os mortos (os justos e os ímpios) ouvirão sua voz, ao
mesmo tempo, para saírem de suas tumbas. 1 Coríntios 15:50-55 indica que
aqueles que ainda estiverem vivos, no retorno de Cristo, serão transformados de
modo que possam herdar o reino de Deus, com corpos glorificados e
incorruptíveis.
Quando Cristo voltar, o mundo será destruído pelo fogo. "Virá,
entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com
estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados; também a
terra e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas
essas cousas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em
santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus,
por causa do qual os céus incendiados serão desfeitos e os elementos abrasados
se derreterão" (2 Pedro 3:10-12). Muitos estão esperando que
Cristo volte e fique na terra por muitos anos; mas isto será impossível, desde
que a terra será destruída quando ele voltar.
Quando Cristo retornar, ele levará todos os homens para encontrá-lo no
julgamento. Mateus 25:31-46 descreve o julgamento, minuciosamente. Aqui, Jesus
disse que isso acontecerá quando ele voltar (v. 31). Paulo, também, falou do
julgamento que acontecerá, na volta de Cristo. "E a vós outros,
que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o
Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança
contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho do
nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da
face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos
seus santos, e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquando foi
crido entre vós o nosso testemunho)" (2 Tessalonicenses 1:7-10).
Quando Cristo voltar, ele devolverá o reino a Deus. "Cada
um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de
Cristo, na sua vinda. E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus
e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e
poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo
dos seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte" (1
Coríntios 15:23-26). Cristo está reinando agora. Ele reinará até que o último
inimigo seja destruído. Então ele devolverá o reino ao seu Pai. O último
inimigo é a morte. Cristo destrói a morte pela ressurreição. Portanto, quando
Cristo voltar e levantar todos os homens, ele estará destruindo o último
inimigo e entregará, então, o reino ao Pai, para que ele reine eternamente.
Cristo voltará visível, em tempo inesperado e desconhecido. Quando ele
voltar:
- Todos os mortos serão ressuscitados.
- Os viventes serão transformados.
- A terra será destruída.
- Todos os homens serão julgados.
- O reino será devolvido ao Pai.
Estes pontos são simples e claramente vistos nas passagens anotadas. O
problema começa ao tentar reconciliar estes ensinamentos bíblicos básicos com
as doutrinas produzidas pelos homens. As anotações seguintes examinam várias
objeções freqüentemente levantadas contra estas claras verdades da Bíblia.
Objeções e Perguntas
E sobre o estabelecimento do reino de Cristo?
O Velho Testamento predisse a vinda do reino de Cristo. "Disse
o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus
inimigos debaixo dos teus pés. O Senhor enviará de Sião o cetro do seu poder,
dizendo: Domina entre os teus inimigos" (Salmo 110:1-2). É
interessante que o Novo Testamento cita esta passagem muitas vezes e mostra que
ela foi cumprida quando Cristo subiu de volta ao Pai. "Exaltado,
pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo,
derramou isto que vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo
declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu
ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés. Esteja absolutamente certa,
pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus
o fez Senhor e Cristo" (Atos 2:33-36). Deus já instalou
Cristo como rei. Estude também Mateus 28:18; Efésios 1:20-23; e Apocalipse
19:16. Os cristãos já estão no reino de Cristo. "Ele nos libertou
do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu
amor" (Colossenses 1:13). "E nos constituiu
reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio
pelos séculos dos séculos. Amém. . . . Eu, João, irmão vosso e companheiro na
tribulalção, no reino e na perseverança, em Jesus. . ." (Apocalipse
1:6,9). Freqüentemente, Apocalipse 20 é citado para tentar provar um futuro
reino de Cristo, de 1000 anos, aqui na terra. Mas, de acordo com o contexto de
Apocalipse 20, são os mártires descritos em 6:9-11 que estão ressuscitados,
para sentarem-se em tronos e reinarem com Cristo no céu. Apocalipse 20 não
discute um reino com Cristo fisicamente presente na terra. Às vezes, algumas
pessoas argumentam que Cristo não pode estar reinando sobre a terra agora,
porque muitas pessoas o desobedecem. Mas a desobediência não é prova de que
Cristo não está reinando. Um rei pode reinar sobre um reino físico na terra e,
entretanto, alguns podem desobedecê-lo. No fim, Cristo punirá a desobediência
(estude a parábola em Mateus 13:24-30,36-43). Jesus nunca teve a intenção de
estabelecer o tipo de reino material que alguns pensam que vai acontecer (João
18:36).
E sobre as promessas de Deus aos judeus?
Deus prometeu dar a Abraão e seus descendentes, os judeus, a terra de
Canaã. Ele cumpriu essa promessa completamente (Josué 21:43-45; Neemias 9:7-8).
Se os judeus conservariam essa terra ou não, isso dependeria de sua fidelidade
ao Senhor (Deuteronômio 28:58,63). Por causa de sua infidelidade os judeus
perderam seu direito à terra prometida.
Deus também prometeu abençoar os judeus e todas as nações com a vinda de
Cristo. As bênçãos espirituais em Cristo não foram destinadas a todos com sangue
de Abraão em suas veias, mas àqueles que compartilham a fé de Abraão (Romanos
2:28-29; 4:16-17; 9:6-8; 11:1-5; Gálatas 3:6-9). O Velho Testamento tinha
predito claramente que os gentios fiéis também seriam trazidos para partilhar
igualmente as bênçãos dos judeus fiéis (Gênesis 12:3; Isaías 2:1-4; 11:10-12;
Zacarias 8:23). Paulo disse que atualmente: "Não pode haver judeu
nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois
um em Cristo Jesus" (Gálatas 3:28).
Muitas das promessas dos profetas do Velho Testamento são mal entendidas
e, portanto, mal aplicadas a algum tipo de reino material de Cristo na terra.
Muitas das profecias do Velho Testamento descrevem o reino de Cristo em um
tempo de paz e prosperidade. Há pessoas que compreendem mal e imaginam que elas
estão falando de uma paz e uma fartura material; mas não estão. Estas profecias
do Velho Testamento têm que ser espiritualmente entendidas. Passagens como
Isaías 11:1-10 e Amós 9:11-15, que são freqüentemente aplicadas a algum futuro
reino material de Cristo, são ditas por escritores do Novo Testamento como
tendo sido cumpridas espiritualmente no reino de Cristo agora (Romanos 15:12;
Atos 15:13-18). É muito importante que permitamos que a revelação que Deus fez
no Novo Testamento tenha prioridade na explicação do que ele pretendia nas
profecias do Velho Testamento.
E sobre os sinais dos tempos?
Em contraste com o ensinamento de Jesus em Mateus 24:37-44, que o tempo
de sua volta seria um período comum, sem sinais especiais, há muitos que
ensinam hoje em dia que podemos saber que a volta de Jesus está próxima se
olharmos para os sinais dos tempos. Este ponto de vista está baseado num mau
entendimento de "E, certamente, ouvireis falar de guerras e
rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim
acontecer, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação,
reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo
isto é o princípio das dores" (Mateus 24:6-8). Observe o assunto
desta passagem. Em Mateus 24:1-2, Jesus falou sobre a destruição do templo e de
Jerusalém, o que ocorreu 40 anos mais tarde, em 70 d.C. Os discípulos no
versículo 3, perguntaram quando estas coisas aconteceriam e também sobre sua
última volta. Jesus, primeiro, respondeu à pergunta sobre a destruição de
Jerusalém. Ele advertiu, nos versículos 4-14, que muitas coisas aconteceriam,
mas que não ficassem alarmados. Estes não seriam ainda os sinais do fim de
Jerusalém. Então, ele lhes contou o que o sinal realmente seria, no versículo
15, e advertiu-os para que fugissem quando o vissem. No versículo 34 Jesus
disse: "Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que
tudo isto aconteça" (Mateus 24:34). Tudo, até o versículo 34
deste capítulo, tinha que acontecer antes que aquela geração terminasse. Muitas
pessoas olham para achar os sinais da volta de Cristo neste trecho do capítulo
que está falando sobre a destruição de Jerusalém, e até mesmo no trecho que
mostra as coisas que não foram sinais desta destruição. Quando as pessoas citam
os acontecimentos de Mateus 24:6-8 como sinais da volta do Senhor, elas ignoram
o contexto. É no versículo 35 que Jesus começa a falar sobre sua segunda volta,
e não antes.
E sobre as duas ressurreições?
A Bíblia ensina que todos os mortos ressurgirão ao mesmo tempo. "Não
vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham
nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem,
para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a
ressurreição do juízo" (João 5:28-29). Veja também Atos 24:15. De
fato, aprendemos em João que a ressurreição e o julgamento ocorrerão no mesmo
dia (João 6:54; 12:48) Algumas pessoas tentam provar que haverá duas
ressurreições da matéria, citando Apocalipse 20. Mas esta passagem não trata de
ressurreições da matéria. O assunto central do Apocalipse é a pergunta de 6:10.
Neste versículo, as almas daqueles decapitados por amor de Cristo estão em
baixo do altar do céu, perguntando por quanto tempo ainda esperariam até que
fossem vingados e quando aqueles que os mataram seriam julgados. É dito a eles
que esperem um pouco mais. Quando o livro se abre, vemos o julgamento de Deus
sobre aqueles que mataram os primeiros cristãos. Finalmente, no capítulo 20,
vemos esses mártires sendo levantados e saindo debaixo do altar do céu, para se
assentarem nos tronos da vitória. Esta ressurreição não tem nada a ver com a
ressurreição de nossos corpos da cova, mas é uma ressurreição das almas no céu.
As passagens que tratam da ressurreição dos corpos mortos da terra (João
5:28-29, etc.) ensinam claramente que todos serão ressuscitados ao mesmo tempo.
E sobre a grande tribulação?
Está na moda ensinar que Jesus voltará secretamente e arrebatará seus
fiéis, e que o mundo então passará por um período de 7 anos de sofrimentos. A
idéia desse período de 7 anos de tribulação, quando o Senhor voltar, não é nem
sequer sugerido na Bíblia, muito menos ensinado. A Bíblia certamente ensina que
os cristãos sofrerão tribulação (João 16:33; Atos 14:22; 2 Timóteo 3:12). E há
períodos de tribulação ainda maior, tal como o que ocorreu quando Jerusalém foi
destruída (Mateus 24:21) ou como aquele que as igrejas do Apocalipse sofreram
(Apocalipse 1:9; 2:9-10; 7:14). Mas nenhuma passagem da Bíblia menciona um
período especial de 7 anos de tribulações na volta de Cristo.
E sobre o anticristo?
A palavra anticristo é mencionada em 3 capítulos da Bíblia: "Filhinhos,
já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos anticristos
têm surgido, pelo que conhecemos que é a última hora. Eles saíram de nosso
meio; entretanto não eram dos nossos; porque se tivessem sido dos nossos,
teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto
que nenhum deles é dos nossos. . . . Quem é o mentiroso, senão aquele que nega
que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho" (1
João 2:18-19,22). "E todo espírito que não confessa a Jesus não
procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do
qual tendes ouvido que vem, e presentemente já está no mundo" (1
João 4:3). "Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora,
os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o
anticristo" (2 João 7). A idéia moderna do anticristo é a de um
futuro líder político, que se levantará dentre os incrédulos para se empenhar
em um conflito militar contra Cristo. Mas estes textos bíblicos falam de
muitos, não de um só. Eles falam de anticristos que estavam presentes, não de
futuros. Eles dizem que eles se levantam dentre os cristãos, não dentre os
incrédulos. As escrituras mostram que os anticristos são falsos mestres, e não
líderes políticos. E falam de um conflito espiritual, e não militar, contra
Cristo. É notável que uma idéia, tão completamente oposta ao que as Escrituras
ensinam, possa ter sido tão largamente aceita.
Em qualquer estudo sério da Bíblia, temos que deixar as idéias humanas e
as especulações de lado e voltar a um exame cuidadoso das Escrituras em contexto.
Quando fazemos assim, o ensinamento sobre a volta de Cristo fica bem claro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário